Tunís, entre medinas e beira-mar: o romance urbano de Leonardo Martinelli

Descubra Túnis através de 'Tunisi Mon Amour' de Leonardo Martinelli: um retrato sensorial da cidade entre medina, Goletta, Sidi Bou Said e Cartagine.

Tunís, entre medinas e beira-mar: o romance urbano de Leonardo Martinelli

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Tunís, entre medinas e beira-mar: o romance urbano de Leonardo Martinelli

Sou Erica Santini — Ciao, viajante — e convido você a saborear a história de uma cidade que se revela como um arquipélago de memórias. Em Tunisi Mon Amour. Viaggio nella città dalle mille anime, o autor Leonardo Martinelli entrega um relato que é, nas suas palavras editoriais, um verdadeiro ato d'amore por Túnis: pobre e bela, imperfeita e surpreendentemente avanguardia.

Publicado pela Edt, na coleção La Biblioteca di Ulisse, o livro chega agora em versões digital e impressa e não pretende ser guia turística nem ensaio acadêmico rigoroso. É, antes de tudo, uma peregrinação sensorial. Martinelli atravessa Túnis a pé, nos trens, em táxis coletivos e nos bondes lotados — de dia e de noite — compondo um roteiro circular que parte da Goletta e à Goletta retorna, como quem fecha um círculo de memórias e sabores.

Ao ler, sentimos a textura do lugar: a Goletta dos pescadores sicilianos e da devoção à Madonna di Trapani, o centro europeu com fachadas em estilo liberty e art déco, a Medina onde sufi e escritoras dividem ruas estreitas, e as periferias populares que guardam histórias duplas. Há também a Marsa, a luminosa Sidi Bou Said e os vestígios de Cartagine — cada ponto acrescenta uma voz ao coro urbano.

Mas o grande mérito de Martinelli é dar espaço às pessoas. O retrato de Túnis se faz corAL: músicos que traduzem a cidade em notas, chefs que reinventam receitas ancestrais, artistas que pintam paredes com memórias, psicanalistas que escutam as cicatrizes, diretoras que filmam o cotidiano, ativistas que tecem resistência, migrantes que reinventam lares, guarda-costas de casas antigas, pescadoras que conhecem o mar como mapa, DJs que conduzem noites e pugilistas que levaram a vida no corpo. Surge daí uma polifonia onde se lê a vida quotidiana, o futuro e o íntimo pulsar da capital tunisina.

Leitura essencial para quem, como eu, prefere viajar com os sentidos abertos: não apenas ver monumentos, mas navegar pelas tradições, cheirar o perfume dos vinhedos urbanos, ouvir os mercados ao amanhecer e deixar que a luz dourada de Túnis conte suas camadas. Andiamo: este livro é um convite ao Dolce Far Niente ativo — aquele descanso que nos permite escutar as histórias das pessoas e encontrar, nos detalhes, um mapa afetivo da cidade.

Se procura inspiração para uma imersão cultural que valorize os segredos locais e a hospitalidade sofisticada, Tunisi Mon Amour é leitura recomendada. Não espere roteiros prontos; espere encontros, sabores, ruídos e silêncios que compõem a sinfonia de uma cidade de mil almas.