Sanremo: 'Per sempre sì' vence, mas a Accademia della Crusca dá nota 4 ao texto

A Accademia della Crusca dá nota 4 a 'Per sempre sì' de Sal Da Vinci por clichês, com alívio napolitano nos versos finais.

Sanremo: 'Per sempre sì' vence, mas a Accademia della Crusca dá nota 4 ao texto

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Sanremo: 'Per sempre sì' vence, mas a Accademia della Crusca dá nota 4 ao texto

Por Chiara Lombardi — Em uma temporada do Festival que celebra a emoção por excelência, a balada vencedora Per sempre sì, interpretada por Sal Da Vinci, conquistou o público e o televoto. Contudo, sob a lente mais exigente da linguagem, a canção recebeu uma avaliação crítica rigorosa: a Accademia della Crusca atribuiu ao texto a nota 4. A análise foi assinada pelo linguista Lorenzo Coveri, ex-professor de linguística italiana na Universidade de Gênova.

A crítica, publicada na revista Mente Locale e divulgada no perfil oficial da Accademia della Crusca no Instagram, não ignora o êxito popular da música, mas aponta que o texto, assinado por sete autores — entre eles Sal Da Vinci, Francesco Da Vinci, Eugenio Maimone, Alessandro La Cava, Federica Abbate e a dupla de produção Merk & Kremont (Giordano Cremona e Federico Mercuri) — peca pela previsibilidade. Para Lorenzo Coveri, a letra é "sincera, mas prisioneira" dos clichês tradicionais da cançoneta amorosa sanremense.

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No diagnóstico linguístico, o problema não é a emoção: o repertório afetivo da música funciona perfeitamente junto ao público. O ponto levantado pela Accademia della Crusca é outro — a falta de invenção verbal. Promessas que se estendem ao infinito, corações que resistem ao tempo, obstáculos vencidos em nome do amor absoluto: imagens que dialogam direto com o imaginário do festival, porém sem rupturas estilísticas ou guinadas expressivas que renovem a linguagem.

Como analista cultural, reconheço que a balada cumpre sua função de acessibilidade e afeto; ela atua como espelho do desejo coletivo por narrativas restauradoras. Mas também vejo o teste da canção como exemplo de como o repertório sanremense às vezes repete seu próprio roteiro — a semiótica do viral que conforta porque repete o conhecido. É uma escolha artística deliberada: priorizar o enlace emocional em detrimento da experimentação linguística.

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Há, contudo, uma pequena subversão no final do texto. Lorenzo Coveri destaca que nos dois versos finais aparece uma breve punção de napolitano que devolve autenticidade e cor à peça. Esse respiro dialetal remete às raízes artísticas de Sal Da Vinci e oferece um sabor regional que quebra, mesmo que por um instante, a linearidade do italiano pop de paradas.

Em termos culturais, essa presença do dialeto funciona como um reframe — uma lembrança de que a canção não é apenas produto de estúdio, mas herdeira de uma tradição performativa e local. O contraste entre o vocabulário amplamente previsível e o instante napolitano cria um curto circuito interessante: confirmação do gênero e, ao mesmo tempo, pequena abertura para o particular.

Assim, mesmo com a crítica linguística da Accademia della Crusca, Per sempre sì permanece como um caso fascinante do Festival: um sucesso popular que revela, no seu texto, o velho dilema entre emoção imediata e risco estético. Como todo bom roteiro cultural, a canção nos convida a perguntar não só o que sentimos, mas por que certas palavras continuam a nos consolar.

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