Vigna e a Hypersail: Como a Ferrari leva sustentabilidade e inovação para além do asfalto

Benedetto Vigna explica como a Ferrari com Hypersail une sustentabilidade, inovação e performance para reinventar mobilidade no mar e na terra.

Vigna e a Hypersail: Como a Ferrari leva sustentabilidade e inovação para além do asfalto

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Vigna e a Hypersail: Como a Ferrari leva sustentabilidade e inovação para além do asfalto

Por Aurora Bellini, Espresso Italia — Benedetto Vigna, 57 anos, no comando da Ferrari desde 2021, revela a ambição que move a montadora ao entrar na vela transoceânica com o projeto Hypersail. Em entrevista exclusiva à Espresso Italia, Vigna explica como esse barco pretende iluminar novos caminhos entre sustentabilidade, inovação e performance, e por que a iniciativa representa um passo além da tradição da marca.

Para Vigna, a ideia não nasceu como mero experimento estético: nasceu para testar, em alto mar, a aplicabilidade de soluções que reduzam impacto e elevem o desempenho. "A inovação não é jamais algo democrático: se fosse, chamaria produção", diz o executivo, lembrando que inovação exige escolhas e riscos calculados. "Queremos entender como gerir energia com responsabilidade e buscar a máxima performance respeitando o ambiente".

O projeto Hypersail começou no fim de 2022 como uma determinação da equipe de Maranello de demonstrar compromissos concretos com a sustentabilidade. Vigna cita um exemplo prático: a eficiência dos painéis solares, que há duas décadas estava na casa dos 10% e hoje atinge aproximadamente 25%. "Pense nos limites que imaginávamos físicos e que, com trabalho e ciência, se mostraram fluidos. É essa mentalidade que queremos levar ao mar e depois de volta às estradas".

Ao ser questionado sobre a natureza quase solitária do desafio — um veleiro que compete contra o vento e o tempo, mais do que contra outros barcos — Vigna afirma com serenidade que a meta é inaugurar uma nova categoria. "Hypersail abre um mundo. Se alguém quiser entrar nessa categoria, seja bem-vindo. O dever de quem vem depois é fazer melhor". A embarcação, segundo ele, usa as leis da natureza como aliadas para alcançar marcos históricos de eficiência e velocidade.

Sobre a mudança de equipe e a saída de navegadores como Giovanni Soldini, Vigna explica que a transição se deveu às competências distintas requisitadas pela nova fase: "À medida que o projeto evoluiu, precisava de perfis técnicos diferentes. Não foi um corte pelo passado, mas um ajuste para o futuro".

Uma curiosidade de identidade visual: a Ferrari optou pelo amarelo Fly para o veleiro, uma escolha que, além de cromaticamente dialogar com o azul do mar, tem motivos simbólicos e práticos. "O amarelo destaca-se no horizonte, é um patrimônio cromático da marca e atrai o olhar — pense nas bolas de tênis", comenta Vigna, com a leveza de quem gosta de analogias visuais. No asfalto, a marca segue fiel ao seu vermelho icônico; sobre as águas, será amarelo.

Hypersail não é apenas tecnologia por tecnologia. É um laboratório em movimento para desenvolver materiais e processos com menor impacto ambiental, quando aplicados tanto ao mar quanto ao automóvel. Em Maranello, a redução do uso de alumínio e a atenção a cada grama são já práticas que irradiam para além da fábrica.

Como curadora e observadora desse movimento, vejo em Hypersail um gesto de semear inovação, de construir pontes entre disciplinas e de iluminar novos horizontes para a mobilidade sustentável. É um chamado para que a indústria imagine futuro com olhos claros e mãos hábeis — uma combinação de técnica, sensibilidade e coragem.

Ao final, Vigna retoma a ideia de imaginação como revolução: "Ser capaz de imaginar é abrir espaço para o inesperado". Se o projeto for bem-sucedido, o legado será maior do que um recorde: será um caminho pavimentado de soluções que farão o mundo navegar melhor.