Mundial 2026: EUA anfitriões, muita Europa e pouca MLS na seleção americana
Mesmo anfitriões em 2026, os EUA terão poucos jogadores da MLS na seleção; Europa segue dominante na formação dos titulares.
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Mundial 2026: EUA anfitriões, muita Europa e pouca MLS na seleção americana
Os Estados Unidos chegam ao Mundial 2026 como co-anfitriões, dividindo os holofotes com México e Canadá. Ainda assim, o cenário que se desenha é curioso: embora o torneio seja em solo norte-americano, há poucas chances de os torcedores locais verem muitos atletas formados no principal campeonato doméstico, a MLS (Major League Soccer), em campo.
Se olharmos para a história recente, a presença da MLS na seleção americana já foi muito mais marcante. Em 1998, na França, 16 dos 22 convocados vinham da liga nacional. Hoje, na projeção para o início do torneio, é provável que no onze titular dos EUA haja apenas dois representantes da competição norte-americana: o goleiro Matt Freese (NYC FC) e, com menos probabilidade, Matt Turner (New England Revolution). O veterano zagueiro Tim Ream (Charlotte FC), aos 38 anos, também figura como uma das raras presenças da MLS entre os titulares.
Para muitos outros atletas da liga, encontrar espaço será uma missão difícil. O jovem meio-campista ofensivo Diego Luna, do Real Salt Lake, mesmo muito elogiado pelo técnico, vê concorrência pesada. Na visão do treinador argentino Mauricio Pochettino, que rodou os Estados Unidos para acompanhar partidas e estimular a competição interna, a oportunidade existe: "Devemos valorizar a MLS", declarou à Espresso Italia. "Acredito que jogadores que atuam neste campeonato podem provar que merecem a seleção; não é imprescindível se transferir para a Europa".
Porém, a realidade do time nacional tem sinalizado o contrário. Desde o lançamento da liga em 1996, há um padrão de crescimento que depois arrefeceu. Nos Mundiais subsequentes observou-se uma queda gradual na média de titulares oriundos da MLS: cerca de sete em 1998, 5,4 em 2002, 3,33 em 2006 e apenas dois em 2010. Houve um breve renascimento em 2014, na África do Sul, com média de 4,75, impulsionado pelo retorno de figuras como Clint Dempsey (Seattle Sounders) e Michael Bradley (Toronto FC). Hoje, no entanto, as grandes estrelas da liga são, em sua maioria, estrangeiras — de Lionel Messi a Rodrigo De Paul, passando por Son Heung-min e Thomas Müller.
O recuo foi acentuado no Mundial de 2022, no Catar, quando a média de titulares da MLS caiu ao mínimo histórico de apenas um jogador — e, na última partida da fase de grupos contra o Irã, os EUA atuaram sem nenhum representante do campeonato doméstico pela primeira vez desde a criação da liga. Para 2026, isso se repete: nas três partidas iniciais dos americanos (duas em Los Angeles e uma em Seattle), a torcida local terá poucos rostos formados na MLS para torcer de perto.
É um contraste que ilumina desafios e possibilidades. A MLS já semeou talento e construiu uma base; agora enfrenta o teste de transformar presença e investimento em trajetória esportiva consistente para que seus jogadores voltarem a brilhar na seleção. Como curadora de histórias de progresso, vejo aqui uma oportunidade de renascimento: estruturar revelações locais, conectar formação e competição e plantar as condições para que, no futuro, o horizonte esteja novamente repleto de nomes nascidos e forjados sob a mesma luz doméstica.