Roberto Baggio no Salone del Libro: budismo, Pasadena e a acusação de inveja a Lippi e Ulivieri

Roberto Baggio no Salone del Libro: buddismo, o pênalti de Pasadena e acusações de inveja a Lippi e Ulivieri em sua autobiografia.

Roberto Baggio no Salone del Libro: budismo, Pasadena e a acusação de inveja a Lippi e Ulivieri

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Roberto Baggio no Salone del Libro: budismo, Pasadena e a acusação de inveja a Lippi e Ulivieri

Em apuração in loco no Salone del Libro de Turim, a plateia da Sala Oro recebeu Roberto Baggio com intensidade típica de estádio. Mais de 400 pessoas acompanharam a apresentação de Luce nell'oscurità (Rizzoli), obra que mistura memórias, fotografias e reflexões espirituais. A cena foi de carinho e cânticos: camisetas azuis, um jovem vindo da Calábria para tocar o joelho com a cicatriz do ídolo, e até uma criança no chão com os cachinhos e o rabo de cavalo que viraram marca do ex-camisa 10.

Com tom direto e disciplina de quem cruzou relatos e documentos ao longo de décadas, Baggio relatou sem floreios a relação que mantém com o esporte e com a espiritualidade. "Quando vou para a cama e não pego logo no sono, me vem à cabeça aquele dia e penso se teria sido diferente" — disse o ex-jogador sobre o pênalti perdido em Pasadena, episódio que permanece como um dos momentos centrais da sua vida futebolística.

O atleta descreveu a obsessão pelo futebol com franqueza jornalística: o futebol era presença constante, do prato à cama; uma "malattia", como definiu. Parte do relato se concentrou no percurso pessoal: nascido em Caldogno, no Vêneto, garoto entre vários irmãos, o jovem Baggio era atraído pelos campos e por uma vitrine de tabaccheria onde via bolas com bandeiras. "Entrei e disse que meu pai autorizava a me dar a bola", contou, evocando imagens que aparecem também no álbum fotográfico do livro.

O livro e o encontro enfatizaram a dimensão espiritual do ex-atleta. Segundo Baggio, desde 1º de janeiro de 1988 pratica o buddismo e dedica uma hora diária à meditação. "Se estou aqui é graças ao que o budismo me ensinou", repetiu. O componente religioso aparece associado à ideia de humildade: "A humildade leva a acreditar em si mesmo. Se não tivesse sido humilde, não teria feito o que fiz" — afirmou no palco, diante do moderador Marco Missiroli, que conduziu a sessão com perguntas objetivas e olho crítico.

O craque não evitou temas espinhosos. Na apresentação e em trechos da autobiografia, ele atribui comportamentos de "inveja" a figuras do futebol italiano — uma menção direta a Lippi e Ulivieri. A acusação foi lançada no contexto de episódios e avaliações sobre sua carreira e escolhas; trata-se de afirmação que, como toda declaração contundente, exige cruzamento de fontes e contraponto das partes envolvidas. Registramos a acusação tal como narrada pelo autor no livro, sem adição de conjecturas.

Houve também menções às dificuldades físicas: Baggio tocou o joelho esquerdo cicatrizado e reconheceu períodos em que a ausência de dor lhe causava estranhamento, ironizando a própria condição com leveza diante do público. Lembrou ainda a data do retiro oficial do futebol — 16 de maio de 2004 — e refletiu sobre o caminho para além do campo.

O quadro que emergiu é o de um personagem público que combina a aura do "divin codino" com a calma de quem pratica meditação diária. No balanço final, Baggio ofereceu ao público uma versão íntima: um homem que convive com memórias difíceis, que reconhece erros e que aponta na espiritualidade uma ferramenta concreta de enfrentamento. Foi uma apresentação marcada por afeição popular e por declarações que, por sua contundência, merecem registro e verificação — procedimento que seguimos como rotina de reportagem para preservar os fatos brutos e o rigor da narrativa.