Grupo Sae de Alberto Leonardis vende o jornal Il Tirreno à holding imobiliária da família Olivetti Rason
Sae, de Alberto Leonardis, vende 100% do Il Tirreno à holding Gin (Olivetti Rason); acordo prevê transição com serviços mantidos por Sae.
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Grupo Sae de Alberto Leonardis vende o jornal Il Tirreno à holding imobiliária da família Olivetti Rason
Em movimento que redesenha o mapa da imprensa regional toscana, o grupo Sae (Sapere Aude Editori), controlado por Alberto Leonardis, anunciou a venda de 100% da Sae Toscana, proprietária do diário Il Tirreno, à holding florentina Gin Srl, do grupo Olivetti Rason. O acordo foi definido como vinculante pelas partes e marca a entrada do novo grupo no setor de comunicação.
A negociação chega em momento de forte tensão interna: desde a aquisição por Sae, há seis anos, a redação do Il Tirreno convive com cortes e reestruturações que incluíram cassa integrazione, prepensionamentos, estados de crise, redução de custos e o redimensionamento ou fechamento de redações locais. Os jornalistas chegaram a fazer quatro greves no último ano e formalizaram voto de desconfiança contra o diretor Cristiano Marcacci, em episódio que envolveu a decisão editorial de não divulgar inicialmente um caso ligado à então capa do gabinete do presidente da Toscana, Eugenio Giani, depois nomeada assessora da Cultura, Cristina Manetti, a quem foi retirada a carteira de motorista.
A Gin Srl, que opera majoritariamente em investimentos imobiliários e financeiros e no desenvolvimento de projetos de valorização de ativos de prestígio, controla empreendimentos como o banho Marechiaro em Forte dei Marmi e o Hotel Fanes em Cortina. Em comunicado, a holding afirmou que a aquisição do Il Tirreno não altera o seu core business, mas inaugura “um novo percurso industrial” com investimento em um dos diários históricos da Toscana.
“O Il Tirreno não é apenas um jornal, é parte da história da Toscana. Sentimo-nos orgulhosos de contribuir para o futuro de uma testada que, há mais de um século, acompanha a vida do território, valorizando sua identidade, o enraizamento e o patrimônio de credibilidade”, declarou Pier Ettore Olivetti Rason.
O acordo prevê, em fase transitória, que a Sae mantenha a prestação de determinados serviços à sociedade vendida, incluindo funções administrativas, tecnológicas, produção de insertos e desenvolvimento de projetos especiais. A estratégia foi justificada pelas partes como medida para assegurar continuidade operacional durante a transição.
O desfecho ocorre após semanas de debate público sobre o futuro do diário. Em recente intervenção na Festa da Cisl do Piemonte, o próprio Leonardis havia reconhecido dificuldades específicas no título: “as relações sindacais são excelentes em todas as partes; a única criticidade é Il Tirreno, onde há uma relação entre jornalistas e vendas de exemplares que está fora de escala, portanto é preciso intervir”. Na ocasião, ele admitiu analisar o recurso à cassa integrazione, assegurando, entretanto, que não haveria demissões.
Desde 2020, o grupo liderado por Leonardis ampliou seu portfólio com a aquisição de vários jornais locais cedidos pelo grupo Gedi: além do Il Tirreno, a Gazzetta di Modena, a Gazzetta di Reggio, a Nuova Ferrara, a Nuova Sardegna e a Provincia Pavese. Em março deste ano, o grupo fechou também a compra da La Stampa.
Trata-se de uma operação que combina interesses industriais e imobiliários e que terá desdobramentos práticos imediatos na organização do jornal. O compromisso público das partes é preservar a continuidade editorial e a presença local, mas a transição será acompanhada de perto por sindicatos e pela redação, que já demonstrou resistência às intervenções anteriores. A apuração in loco e o cruzamento de fontes continuarão a ser necessários para avaliar os impactos no dia a dia da redação e na cobertura regional.