32 anos de Ilaria Alpi e Miran Hrovatin: em Trieste, o apelo para "não arquivar" o caso
Em Trieste, cerimônia pelos 32 anos do assassinato de Ilaria Alpi e Miran Hrovatin reforça apelo a não arquivar o caso e demanda justiça.
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32 anos de Ilaria Alpi e Miran Hrovatin: em Trieste, o apelo para "não arquivar" o caso
Em Trieste, na manhã de 20 de março de 2026, foi realizada uma cerimônia para marcar os 32 anos do assassinato de Ilaria Alpi e Miran Hrovatin. A iniciativa, organizada pelo Ordine dei Giornalisti Fvg, Assostampa, Articolo 21 Fvg e pela Fundação Luchetta Ota D'Angelo Hrovatin, reuniu familiares, colegas e representantes da categoria jornalística para um ato público de memória e reivindicação por justiça.
No jardim à beira-mar de Barcola, junto à lápide que homenageia o operador de câmera, foram depositadas flores. A cerimônia ocorreu em clima contido, com pronunciamentos que reiteraram a exigência de esclarecimento completo sobre a autoria e a motivação do crime que vitimou os dois profissionais durante uma cobertura na Somália, em 1994.

A porta-voz do Articolo 21 Fvg, Fabiana Martini, declarou: "Também este ano quisemos, de forma simples, lembrar este aniversário e estar aqui, neste lugar tão bonito, dedicado a Miran, definido como um 'poeta das imagens', para honrar a memória destes colegas que, para contar, perderam a vida". Martini sublinhou ainda o sentido do gesto: "R renovamos o apelo a não arquivar, porque é justo buscar justiça para estes dois colegas e para outros que ainda não tiveram uma verdade judicial".
Cristiano Degano, conselheiro nacional do Ordine dei Giornalisti, reforçou a lacuna investigativa: "Sobre o assassinato de Miran Hrovatin e Ilaria Alpi não sabemos ainda quem foram os mandantes e os executores e talvez nunca saibamos. Mas, como jornalistas, não pretendemos arquivar o seu recuerdo". O tom foi factual e exigente, apontando a persistente ausência de respostas completas por parte das autoridades judiciais e de investigação.
A nota da Usigrai destacava um encontro emotivo: o secretário Daniele Macheda encontrou-se com Patrizia Scremin, viúva de Miran Hrovatin. Segundo a entidade, Patrizia falou da humanidade e da sensibilidade artística de Miran, descrevendo-o como "um fotógrafo e operador de grande sensibilidade" que soube retratar as pessoas "nos seus momentos mais verdadeiros". O relato recordou os trabalhos de Miran desde o conflito na ex-Jugoslávia até a guerra civil na Somália.
Em Roma, a data foi lembrada pelo Comitato de Redazione do Tg3 e pelo Executivo da Usigrai com um buquê de rosas brancas depositado na sepultura de Ilaria Alpi, no cemitério de Prima Porta. O gesto simbólico, complementado pela cerimônia em Trieste, mantém acesa a cobrança por respostas e evidencia o compromisso das corporações jornalísticas em não deixar o caso cair no esquecimento.
Esta cobertura seguiu critérios de apuração in loco e cruzamento de fontes sindicais e familiares. A memória institucionalizada em placas, homenagens e atos públicos compete com a necessidade processual: a busca por uma verdade judicial que ainda não foi alcançada. A exigência repetida pelos presentes resume-se a um pedido claro e objetivo: que a investigação permaneça ativa e que não se proceda ao arquivamento definitivo do caso.


