Advogado da família Caliendo apresenta vídeo que cita casos de órgãos congelados no transporte
Advogado da família Caliendo protocola vídeo que aponta casos anteriores de órgãos congelados durante transporte; investigação em Nápoles prossegue.
RESUMO ✦
Sem tempo? A Lili IA resume para você
Advogado da família Caliendo apresenta vídeo que cita casos de órgãos congelados no transporte
Por Giulliano Martini — Em mais um movimento na investigação sobre o transplante que terminou com a morte do pequeno Domenico Caliendo, o advogado da família, Francesco Petruzzi, protocolou na manhã de hoje na procura de Nápoles documentos e um vídeo de uma conferência em que se discutiu o sistema de transplantes e relatos de órgãos que chegaram congelados ao local do procedimento.
Segundo Petruzzi, a peça documental integra a defesa após a participação da família, por meio da Aido, em uma conferência realizada em 28 de abril, em Palazzo Madama, em Roma. Naquele evento, representantes de empresas que fazem o transporte de órgãos relataram experiências práticas e mostraram imagens — entre elas a de um rim coberto por gelo, armazenado dentro de uma bolsa e apoiado em material congelante a -40 ºC. Em entrevista à AGI, o advogado afirmou que o relato incluiu a lembrança explícita do caso de Domenico Caliendo, “quando o coração do doador chegou congelado”.
“Durante a conferência, quem falava em nome de uma empresa de transporte de órgãos disse que para eles aquilo não era novidade”, relatou Petruzzi. A gravação traz depoimentos de representantes da Avionord, empresa citada no encontro, e mostra, segundo o advogado, que incidentes do tipo já ocorreram em outros pontos do território nacional.
O evento em questão teve como título “Il dono della vita nel sistema trapiantologico italiano” e foi promovido pela senadora Elena Murelli e pelo senador Filippo Melchiorre, com o patrocínio do Senado da República. A gravação e os documentos entregues à investigação foram apontados pelo defensor como potencialmente relevantes para esclarecer a cronologia e as responsabilidades sobre o transporte e o manuseio do órgão que saiu de Bolzano e foi recebido no Hospital Monaldi em 23 de dezembro.
A procuradoria de Nápoles — que, segundo o protocolo, está coordenando os inquéritos com o procurador adjunto Antonio Ricci e o promotor Giuseppe Tittaferrante — abriu diligências específicas para apurar o que ocorreu no dia do transplante, os procedimentos adotados após a chegada do órgão e os eventos subsequentes até o óbito do menino, em 21 de fevereiro.
Até o momento, sete pessoas figuram como investigadas por homicídio culposo. Em dois casos, há também a imputação de falsificação em prontuário médico. A defesa da família apresenta agora o material da conferência como elemento probatório que pode sustentar a hipótese de problemas sistêmicos no transporte de órgãos, e não apenas um episódio isolado.
Do ponto de vista jornalístico, trata-se de novo capítulo que exige apuração in loco e cruzamento de fontes entre registros hospitalares, relatórios de empresas de logística de órgãos e a documentação trazida à gresca pelo advogado. A inclusão do vídeo nas peças do processo poderá abrir vias de investigação sobre práticas operacionais durante o transporte que, se confirmadas, teriam impacto direto nas responsabilidades penais e administrativas já em apuração.
Seguimos acompanhando o caso com foco nos fatos brutos, na checagem das datas e na transparência das fontes, trazendo o raio-x dos procedimentos que levaram ao desfecho trágico envolvendo Domenico.