Ahmed Shihab-Eldin é libertado no Kuwait após 52 dias de detenção, diz Departamento de Estado dos EUA
Jornalista Ahmed Shihab-Eldin é libertado no Kuwait após 52 dias; absolvição confirmada e saída do país, diz Departamento de Estado dos EUA.
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Ahmed Shihab-Eldin é libertado no Kuwait após 52 dias de detenção, diz Departamento de Estado dos EUA
Por Giulliano Martini — Apuração e cruzamento de fontes: o jornalista Ahmed Shihab-Eldin, de dupla nacionalidade kuwaitiana-americana, foi libertado e deixou o Kuwait após cumprir 52 dias de prisão. A informação foi confirmada por um funcionário anônimo do Departamento de Estado dos Estados Unidos e divulgada por agências internacionais, entre elas a AFP. A libertação foi anunciada também pelo Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ).
Detido em 3 de março durante uma visita à família, Ahmed Shihab-Eldin estava sob acusação de ter divulgado notícias falsas relacionadas à guerra no Oriente Médio, após publicar vídeos que mostravam lançamentos de foguetes e imagens de drones. O jornalista, que atua como freelancer e colabora com veículos como The New York Times, Al Jazeera English e PBS, foi solto e, segundo fontes diplomáticas, já saiu do país.
O caso mobilizou interlocução diplomática e uma reação institucional na Itália, onde Ahmed Shihab-Eldin leciona na Universidade de Bari. A Farnesina declarou que acompanhou o processo "com a máxima atenção" e reiterou que a Embaixada da Itália em Kuwait manteve contato estreito com as autoridades locais e com a Embaixada dos Estados Unidos, país de nacionalidade do jornalista.
Em nota oficial, a Farnesina confirmou a absolvição do jornalista e ressaltou o acompanhamento consular desde a prisão. Organizações de defesa da liberdade de imprensa e universidades que mantêm vínculo com Ahmed Shihab-Eldin haviam solicitado esclarecimentos e pressionado por acesso consular e por garantias processuais ao longo das sete semanas de detenção.
O episódio ocorre em um contexto mais amplo de aperto nas monarquias do Golfo em relação à circulação de imagens e informações sobre o conflito regional. Autoridades e observadores apontaram que, nos últimos meses, os Estados do Golfo intensificaram medidas repressivas contra jornalistas e usuários de redes sociais que divulgam material sensível, citando preocupações de segurança e a criminalização de supostas "informações falsas".
Essa prisão e posterior absolvição despertaram uma mobilização acadêmica e jornalística internacional. Fontes consultadas por esta reportagem indicam que houve diálogo contínuo entre missões diplomáticas e organizações de defesa da imprensa para garantir que o processo obedecesse aos direitos legais previstos, bem como a libertação e a saída do país.
Relato técnico: a apuração foi realizada pelo método clássico do cruzamento de fontes — declaração oficial anônima do Departamento de Estado, comunicado do CPJ e nota da Farnesina — para estabelecer a sequência de fatos: prisão em 3 de março, 52 dias de detenção, absolvição e partida do Kuwait. Mantemos o compromisso com a precisão e a limpeza de narrativas, apresentando apenas os fatos verificados até o momento.
Atualizaremos a reportagem se surgirem novas informações sobre procedimentos judiciais no Kuwait, declarações do próprio Ahmed Shihab-Eldin ou posições oficiais adicionais das embaixadas envolvidas.