Ameaças e gesto de 'corte de garganta' marcam início do processo pelo feminicídio de Martina Carbonaro

Ameaças e gesto de 'corte de garganta' marcam início do processo pelo feminicídio de Martina Carbonaro; réu passará a depor por videoconferência.

Ameaças e gesto de 'corte de garganta' marcam início do processo pelo feminicídio de Martina Carbonaro

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Ameaças e gesto de 'corte de garganta' marcam início do processo pelo feminicídio de Martina Carbonaro

Apuração in loco. O primeiro dia do julgamento pelo feminicídio de Martina Carbonaro, 14 anos, começou sob forte tensão nesta terça-feira, 19 de maio de 2026, na segunda seção da Corte d'Assise de Nápoles. No banco dos réus compareceu Alessio Tucci, 19 anos, reo confesso, assistido pelo advogado Mario Mangazzo. O episódio expôs, de cara, um ambiente já inflamado entre familiares e obrigou a intervenção da presidência da seção.

Antes mesmo do início formal da audiência, os pais de Martina Carbonaro dirigiram insultos ao jovem. A resposta veio de parentes de Tucci, sentados na tribuna ao piso superior, que retribuíram as ofensas. Segundo relatos e imagens em poder da corte, o pai do réu fez o gesto do corte de garganta — o polegar deslizando sobre a própria garganta — em direção ao pai da vítima. O ato foi interpretado como uma ameaça.

A presidenta da seção, juíza Giovanna Napoletano (com a juíza a latere Paola Valeria Scandone), determinou de imediato o afastamento dos parentes do acusado do recinto. A situação permaneceu tensa ao final da audiência: já na saída do jovem do plenário, os pais de Martina voltaram a proferir xingamentos, tendo sido acompanhados até a saída do Palácio de Justiça por forças de segurança.

Como medida cautelar para as próximas sessões, a juíza dispôs que o acusado participe por videoconferência, exceto se houver necessidade de seu interrogatório presencial. A decisão visa reduzir o risco de confrontos no ambiente forense. A próxima audiência foi marcada para 26 de junho, quando a defesa e a acusação ouvirão cinco militares da companhia dos Carabinieri de Afragola.

Em declarações às câmeras, Enza Cossentino, mãe de Martina Carbonaro, afirmou: “Deve pagar, não deve sair mais. Mi aspetto fine pena mai” — exigindo a pena máxima em termos de duração. O advogado da família, Sergio Pisani, acrescentou que, “em um país normal, depois de um homicídio desta natureza, esperar-se-iam desculpas. Em vez disso, houve o gesto do dedo na garganta. Há câmeras em sala; solicitaremos a aquisição das imagens”.

Os fatos imputados a Tucci remontam a 25 de maio de 2025: segundo a acusação, a adolescente foi atraída até um casebre abandonado perto do estádio municipal de Afragola após o pedido de um último encontro. Ao recusar abraçá-lo, a garota teria sido atingida por uma pedra na região posterior da cabeça enquanto estava de costas. O corpo foi então ocultado atrás de um armário e coberto com entulho. Nas horas iniciais após o crime, quando Martina era dada como desaparecida, o acusado participou das buscas até o momento em que o corpo foi localizado.

Do ponto de vista processual, a remoção de parentes e a autorização para participação por videoconferência representam medidas imediatas para preservar a ordem pública no tribunal e garantir a regularidade das audiências. O caso continuará sob estreito acompanhamento: há expectativa pelo depoimento dos militares e pela análise das imagens registradas na sala de audiência, que poderão integrar o arquivo do processo.

Fatos brutos, sem ruído: o processo prossegue com novas etapas marcadas, e a atenção recai sobre as garantias de segurança no foro e sobre a eventual incorporação das gravações ao procedimento probatório.