Quatro trabalhadores queimados vivos em Amendolara: dois detidos após vídeo mostrar execução no minivan
Vídeo mostra quatro trabalhadores trancados em minivan e queimados vivos em Amendolara; dois detidos e investigação aponta 'máfia paquistanesa'.
RESUMO ✦
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Quatro trabalhadores queimados vivos em Amendolara: dois detidos após vídeo mostrar execução no minivan
Por Giulliano Martini — Apuração in loco e cruzamento de fontes. A dinâmica do crime ocorrido na estação de serviço de Amendolara, no território do Cosentino, é clara nas imagens de videovigilância obtidas pela investigação: quatro homens foram trancados dentro de um minivan e queimados vivos. Os fatos foram registrados em cerca de 30 segundos de filmagem que já circulam nas redes sociais e direcionaram as diligências da Polícia.
Nos frames, dois homens saem apressadamente do veículo enquanto fumaça sai pelo capô. Um deles tenta manter a porta fechada para impedir a saída dos ocupantes; o outro parece usar a bomba de combustível do posto para pulverizar o interior do veículo, em seguida corre para bloquear a porta. As imagens mostram as vítimas tentando forçar a saída, sem sucesso, antes de serem alcançadas pelas chamas.
Segundo fontes judiciais, no minivan estavam sete cidadãos de origem paquistanesa. Quatro foram encontrados carbonizados e morreram no local; dois foram detidos e a Procuradoria de Castrovillari formalizou um fermo por homicídio pluriaggravato contra eles. Há indicações — ainda não confirmadas oficialmente — de que um sétimo ocupante, também paquistanês, conseguiu escapar apesar de ferido.
O procurador-chefe de Castrovillari, Alessandro D'Alessio, convocou uma coletiva de imprensa para a sede da Questura di Cosenza, marcada para as próximas 24 horas, onde deverá detalhar os atos processuais e os elementos probatórios. Fontes policiais destacam que as imagens das câmeras foram fundamentais para a reconstrução preliminar da dinâmica do crime.
Em entrevista exclusiva à Tgr Calabria, o único sobrevivente identificado como Mohamed, um trabalhador agrícola afegão, exibiu curativos das queimaduras sofridas e afirmou que os responsáveis seriam seus próprios exploradores: os chamados caporais de origem paquistanesa. "E' stata la mafia paquistanesa", afirmou, segundo o relato público, ao descrever condições de exploração e moradia degradantes. Mohamed disse que trabalhava na colheita de morangos e morava em Villapiana num imóvel compartilhado com as vítimas.
O presidente da Região Calabria, Roberto Occhiuto, publicou nas redes sociais o vídeo do episódio e o classificou como ato "disumano", afirmando que notícias desse tipo abalam a confiança na humanidade. As autoridades locais e federais afirmam prioridade às investigações para localizar outros possíveis envolvidos e esclarecer a cadeia de comando por trás do crime.
Do ponto de vista investigativo, a apuração seguirá o roteiro clássico: exame das imagens, identificação forense das vítimas, inquirição dos detidos e busca de evidências sobre possível organização criminosa envolvida na exploração trabalhista. A defesa do princípio da presunção de inocência permanece em vigor enquanto a investigação prossegue e o material é formalizado em inquérito.
Atualizaremos a reportagem após a coletiva marcada pela Procuradoria e com base no aprofundamento das diligências. A realidade traduzida pelas imagens é contundente; a investigação agora precisa transformar provas visuais em responsabilização judicial.