Dermatologista de Milão alerta: moda de expor o ânus ao sol não tem base científica

Dermatologista Antonino Di Pietro desmente a moda do "anal sunning" e reforça: não há evidências científicas e o sol exige proteção responsável.

Dermatologista de Milão alerta: moda de expor o ânus ao sol não tem base científica

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Dermatologista de Milão alerta: moda de expor o ânus ao sol não tem base científica

Giulliano Martini – Em apuração rigorosa e cruzamento de fontes, o professor Antonino Di Pietro, dermatologista e diretor do Istituto Dermoclinico Vita Cutis, em Milão, fez um alerta direto sobre uma tendência viral que tem ganhado espaço nas redes sociais: a prática conhecida como anal sunning, ou a exposição do ânus à luz solar com a promessa de aumento de energia, bem-estar e até elevação espiritual.

Segundo Di Pietro, a ideia não só é sem fundamento científico, como reproduz um padrão já observado em outras teorias de saúde sem comprovação: "Salutare il sole con l'ano. No, non è una battuta. È il titolo di un vero libro", disse o especialista, citando inclusive a existência de publicações que promovem a prática. "Não existe nenhuma prova científica que tudo isso seja verdadeiro. E, no entanto, milhares de pessoas acreditaram", acrescentou.

O alerta chega em um momento de intensificação de debates sobre o sol e a proteção cutânea. Nas últimas semanas, declarações de figuras públicas — como o músico Salmo, que afirmou ter desenvolvido um carcinoma basocelular após usar filtros solares, e polêmicas envolvendo a oncologista Debora Rasio — reacenderam a circulação de narrativas que minimizam o risco dos raios ultravioleta e questionam a utilidade das cremes solares. A comunidade científica, segundo o professor, tem sido unânime ao refutar essas teses.

Di Pietro contextualiza: "O problema não é o sol. O sol é vida. É fundamental para a síntese da vitamina D, regula o ritmo sono‑vigília, melhora o humor e tem efeitos positivos no organismo. O problema é o excesso e a ignorância." Na avaliação do dermatologista, a literatura médica demonstra há décadas que exposições intensas e repetidas aos raios ultravioleta aumentam o risco de câncer de pele e aceleram o envelhecimento cutâneo.

Do ponto de vista técnico, os estudos publicados em revistas revisadas por pares correlacionam dose cumulativa de UVA/UVB com maior incidência de carcinomas basocelulares, espinocelulares e melanoma. A recomendação, segundo o especialista, não é evitar o sol a todo custo, mas adotá‑lo com prudência: horários adequados, roupas de proteção, chapéu e uso correto de protetor solar conforme o fototipo e a atividade.

Como repórter com apuração em campo e cruzamento de dados, registro que a circulação de modas online como o anal sunning segue um padrão recorrente: ideias simplistas, endossadas por vozes polêmicas, que se espalham com velocidade e sem verificação, sobretudo quando prometem benefícios fáceis e amplos.

O professor Di Pietro conclui com um chamado à razão baseada em evidências: proteção é prevenção, não alarmismo. A recomendação clínica permanece clara: educação sobre exposição solar e adoção de medidas comprovadas para reduzir riscos. A realidade traduzida pelos fatos permanece inalterada: alegações extraordinárias exigem provas extraordinárias — e, por ora, essas provas não existem.

Apuração e texto: Giulliano Martini