Indiciado por caporalato, Andrea Dini — cognato do presidente da Lombardia — sob controle judicial em investigação sobre trabalhos clandestinos
Procuradoria de Milão investiga Andrea Dini (Dama Spa) por caporalato; controle judicial atinge Aspesi e produção ligada a Paul & Shark.
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Indiciado por caporalato, Andrea Dini — cognato do presidente da Lombardia — sob controle judicial em investigação sobre trabalhos clandestinos
Milão — A Procuradoria de Milão abriu investigação por caporalato contra Andrea Dini, administrador‑delegado da Dama Spa e cunhado do presidente da Lombardia, Attilio Fontana. O procedimento, conduzido pelo procurador Paolo Storari, colocou sob controle judicial a Dama e a histórica grife Aspesi, que nos autos aparecem vinculadas à produção de peças para a marca Paul & Shark.
O decreto do Ministério Público detalha um esquema em que a produção de vestuário em oficinas clandestinas teria permitido margens de lucro da ordem de 95% a 87% sobre as peças da Paul & Shark. Segundo as investigações, os trabalhadores — em sua maioria de origem chinesa — eram submetidos a jornadas exaustivas e salários abaixo da linha de pobreza.
Os elementos apurados apontam para turnos de trabalho de sete dias por semana, com horário contínuo indicado entre as 8h e as 22h nas próprias instalações onde os operários trabalhavam. O MP descreve ainda uma política empresarial marcada por auditorias e visitas constantes aos fornecedores, voltadas prioritariamente à verificação da qualidade do produto, mas que permaneceriam "cegas" quanto às condições de segurança e ao cumprimento da legislação trabalhista.
Além de Andrea Dini, são investigados o executivo Francesco Umile Chiappetta e três responsáveis chineses por um opificio localizado em Garbagnate Milanese. No total, a investigação refere cerca de 45 trabalhadores envolvidos nas condições irregulares. A Dama já havia sido mencionada em outro episódio, o chamado caso dos "camici" durante a emergência da Covid‑19, que foi posteriormente arquivado.
O procurador Storari adotou medida de controle judicial de forma urgente para as grifes citadas, por entender que havia adoção deliberada de um modelo de produção que se beneficiava do trabalho em situação irregular. Essa postura difere de decisões recentes da seção de medidas de prevenção do Tribunal de Milão, que em outros processos (envolvendo nomes como Giorgio Armani, Dior e Valentino) nomearam administradores judiciais para acompanhar a gestão, sem imputar inicialmente responsabilidade penal direta aos gestores.
O enquadramento aplicado neste caso caracteriza o caporalato direto, porquanto, segundo os promotores, as empresas teriam aceitado o recurso ao trabalho em negro como método de fabricação, sem adotar modelos organizacionais capazes de prevenir o "pesado sfruttamento trabalhativo". A proteção aos direitos dos trabalhadores, concluem os autos, teria sido negligenciada em benefício exclusivo da produção e da margem comercial.
Esta investigação insere‑se em um raio‑X mais amplo do setor da moda em Itália, que vem sendo alvo de fiscalizações por cadeias de subcontratação e externalização. O procedimento seguirá agora os trâmites judiciais, incluindo eventual convalidação das medidas por um juiz de garantias, com o objetivo de aprofundar a apuração e delimitar responsabilidades penais e societárias.
Apuração in loco e cruzamento de fontes serão mantidos por nossa redação para atualização imediata deste caso, que mistura fatores econômicos, organização produtiva e violações trabalhistas em plena cadeia do luxo.
Giulliano Martini — correspondente Espresso Italia em Milão. Apuração técnica e cruzamento de fontes.


