Anticiclone africano mantém Itália em alerta: 8 cidades com bollino rosso e junho mais quente
Anticiclone africano mantém Itália em alerta: oito cidades com bollino rosso; junho registra calor anômalo e 2026 segue acima da média.
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Anticiclone africano mantém Itália em alerta: 8 cidades com bollino rosso e junho mais quente
Anticiclone africano sem trégua: o boletim atualizado do Ministério da Saúde amplia hoje as áreas sob risco máximo de calor. A onda longa de ar subtropical que vem do Norte da África mantém um quadro de calor intenso em toda a península, com máximas diurnas recordes e noites tipicamente tropicais, tornando as cidades inclementes a qualquer hora do dia.
Ontem o nível máximo de risco térmico foi registrado em Bolonha, Brescia, Florença, Perugia e Turim. No boletim mais recente, o bollino rosso passa a vigorar em oito cidades: Bolonha, Bolzano, Brescia, Florença, Milão, Perugia, Rieti e Turim. Simultaneamente, desaparecem por completo os bollini verdi, indicativos de ausência de risco para a saúde.
Estamos na segunda onda de calor do ano e as previsões meteorológicas apontam para a persistência do calor intenso sobre a Planície Padana pelo menos até o primeiro fim de semana de julho. Esperam-se temperaturas máximas entre 35°C e 37°C e mínimas noturnas frequentemente acima de 25°C nas áreas urbanas.
As regiões mais atingidas são Lombardia, Piemonte, Veneto e Emilia-Romagna. Segundo dados do CNR, algumas estações têm queimado mais já em junho do que em agosto: em 2025, junho fechou com uma anomalia de +3,02°C em relação à média 1991-2020 — o segundo junho mais quente já registrado na Itália. No mesmo ano, agosto registrou apenas +0,69°C acima da média.
Há quem atribua parte do aquecimento ao início de um episódio de El Niño, mas a explicação imediata para o episódio atual é a subida de massas de ar subtropicais vindas do Norte da África. As previsões meteorológicas consolidam que a estate 2026 terá temperaturas acima da média, com anomalias estimadas entre 1°C e 2°C em todo o país.
O fenômeno ultrapassa as fronteiras italianas: o Reino Unido, França, Suíça, Alemanha e Espanha enfrentam sinais de calor excepcional — na França, inclusive, a realização da tradicional "Fête de la Musique" chegou a ser posta em dúvida por causa do calor extremo. O cenário agrava riscos à saúde pública: “As onadas de calor representam uma das emergências climáticas com maior impacto sobre a saúde pública. Observamos todo ano aumento de mortalidade e hospitalizações”, explica Fabrizio Pregliasco, diretor da escola de especialização em Higiene e Medicina Preventiva da Universidade de Milão.
O Ministério da Saúde recomenda evitar exposição nas horas mais quentes, manter hidratação adequada, utilizar ambientes climatizados sempre que possível, monitorar pessoas vulneráveis, fornecer água fresca aos animais domésticos, conservar alimentos corretamente e evitar exercícios físicos nas horas de pico. A entidade ambiental Legambiente destaca que os eventos meteorológicos extremos na Itália chegaram a 376 registros no ano anterior, um aumento de 5,9% em relação a 2024.
Dados recentes do Copernicus Climate Change Service reforçam a tendência: é considerada praticamente certa a alta probabilidade de que 2026 figure entre os anos mais quentes já registrados, consolidando um padrão de anomalias térmicas persistentes.
Apuração e cruzamento de fontes: boletim do Ministério da Saúde, relatórios do CNR, alertas do Copernicus e posicionamento de especialistas. A leitura técnica dos fatos mostra um quadro climático que exige medidas concretas de proteção à saúde pública e planejamento urbano para mitigar os impactos do calor extremo.