Autópsias começam em vítimas queimadas vivas em Amendolara; prisão dos dois caporais paquistaneses é confirmada
Autópsias iniciam em vítimas queimadas vivas em Amendolara; prisão preventiva dos dois caporais paquistaneses é confirmada pela Justiça.
RESUMO ✦
Sem tempo? A Lili IA resume para você
Autópsias começam em vítimas queimadas vivas em Amendolara; prisão dos dois caporais paquistaneses é confirmada
Começaram às 9h, no hospital de Rossano em Corigliano-Rossano, os exames autópsicos sobre os corpos carbonizados de quatro trabalhadores agrícolas mortos por incêndio em Amendolara. As vítimas identificadas são o paquistanês Waseem Khan, 29 anos, e os afegãos Amin Fazal Khogjani, 28, Ullah Ismat Qiemi, 19, e Safi Iayjad, 27.
A chefe de acusação (pm) de Castrovillari, Roberta Bello, conferiu a responsabilidade do exame ao doutor Biagio Solarino, da Universidade de Bari. As autópsias têm caráter técnico e visam esclarecer as causas exatas da morte, registrar lesões associadas à exposição ao fogo e fornecer elementos para a instrução criminal.
No campo processual, o juízo de Castrovillari já confirmou a medida de custódia cautelar contra dois homens de origem paquistanesa — identificados como Alì Raza e Ahmed Safeer — e determinou a sua permanência em prisão preventiva. A Procuradoria atribui-lhes o crime de homicídio múltiplo com agravantes.
O relato do único sobrevivente, coletado pelas autoridades, é direto: “Eles queriam nos matar porque pedimos o pagamento ou um contrato de trabalho”. Em decisão fundamentada, o juiz Orvieto Matonti descreve que os trabalhadores foram “punidos apenas por terem reivindicado valores salariais e a regularização contratual”. O documento localiza a motivação do crime em pretensões laborais e aponta para uma intenção punitiva dirigida a quem havia exigido condições justas — entre elas a recusa em continuar vivendo em dez pessoas dentro do mesmo quarto.
A investigação técnica colheu também elementos sobre uma altercação ocorrida na manhã anterior ao ataque fatal. A briga teria envolvido uma das vítimas e o irmão de Alì, bem como Safeer. Segundo os autos, Safeer teria recebido uma tumefação no zigoma direito, lesão anotada pelos próprios defensores dos indiciados durante audiência preliminar. O confronto, relatam os investigadores, chegou a motivar uma chamada de Alì ao número de emergência 112 para pedir a intervenção policial.
Após a disputa, o grupo seguiu para o trabalho nos campos em Scanzano. No trajeto de volta, ocorreu a tragédia: os acusados, conforme o juiz, cercaram e atearam fogo a cinco pessoas — mataram quatro e tentaram matar uma quinta — “por motivos fúteis, com crueldade e com premeditação”, observou Matonti. O magistrado acrescenta que, ao longo do processo, os indiciados não mostraram arrependimento, mantendo uma “resolução criminosa firme e glacial” até consumar o crime.
Ao centro das apurações estão agora os laudos periciais que poderão confirmar dinâmica e responsabilidades materiais e fornecer subsídios ao enquadramento jurídico definitivo. A Procuradoria de Castrovillari continua a ouvir testemunhas e a cruzar evidências físicas e testemunhais. O caso segue em fase de instrução, com a previsão de mais diligências técnicas nas próximas horas.
Apuração in loco, cruzamento de fontes oficiais e prioridade pela clareza: esta é a realidade traduzida sobre o episódio que chocou a comunidade local e reacende urgência sobre condições de trabalho e proteção de migrantes nas zonas rurais.