Calopresti: a Calábria é misteriosa e precisa ser contada em múltiplas formas
Mimmo Calopresti defende que a Calábria, misteriosa e multifacetada, só se entende vivendo-a; destaque em evento da Fondazione Magna Grecia.
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Calopresti: a Calábria é misteriosa e precisa ser contada em múltiplas formas
Giulliano Martini — Em apuração in loco durante a dois dias promovidos pela Fondazione Magna Grecia sobre o tema "Oltre il mare. I patrimoni per la continuità dell'offerta turistica", o cineasta Mimmo Calopresti traçou um diagnóstico objetivo sobre a presença turística da Calábria. Segundo o diretor, a região não se enquadra em narrativas simples: é um território a ser explicado em variadas linguagens e abordagens.
Na fala registrada no evento, Calopresti afirmou que contaria a Calábria “de todos os modos”. Para o cineasta, a própria experiência de filmar e viver ali foi um processo de desmantelamento de estereótipos. "Eu la racconterei in tutti i modi. In tutte le maniere ho cercato di capirla, perché la Calabria è un grande mistero", disse, conforme o registro do encontro.
Calopresti detalhou a contradição territorial que define a região: "Seis diante do mar, e atrás de você há um lugar maravilhoso". Como exemplos de paisagens que desafiam descrições simplistas, o diretor citou o Aspromonte — que encontrou como "um éden" apesar de ter sido apresentado anteriormente como "o lugar mais feio e mais difícil da Calábria" — e a Sila, cuja paisagem de verão foi definida por ele como "fantástica".
O fio condutor da declaração de Calopresti é a dificuldade de síntese: "Tudo se mistura, tudo se confunde, quindi è difficile da raccontare. È una terra misteriosa per certi aspetti". O cineasta atribui a complexidade a uma composição territorial e humana que exige contato direto: viver, trabalhar, frequentar e conhecer as pessoas locais para entender a dimensão cultural e natural da região.
Na ótica do repórter que assina este texto, e após o cruzamento de fontes e o registro do evento, duas conclusões se impõem. Primeiro: a Calábria não é um produto turístico clássico e pronto para consumo; é um destino que demanda curadoria e narrativa profunda. Segundo: a experiência local — interações com comunidade, imersão na natureza e atenção às raízes culturais — é condição para transformar o lugar em oferta turística consistente e sustentável.
Calopresti sublinhou ainda a necessidade de superar preconceitos e estereótipos. "Si deve andare oltre stereotipi e pregiudizi, perché la Calabria non è una terra di turismo semplice, classico. È un posto dove vivere un'esperienza forte con la natura, con le persone, con delle radici anche molto importanti", afirmou. Esse diagnóstico reafirma o papel das políticas culturais e de patrimônio em construir rotas que preservem autenticidade e simultaneamente tornem a região compreensível ao visitante.
O evento organizado pela Fondazione Magna Grecia coloca na agenda a urgência de desenvolver narrativas que conectem patrimônios — naturais, históricos e humanos — a uma oferta turística de continuidade. A partir da fala de Calopresti, o desafio é transformar o "mistério" da Calábria em um ativo narrativo, sem reduzir sua complexidade.
Apuração, cruzamento de fontes e fatos brutos indicam que a região exige estratégias de comunicação e gestão do turismo que privilegiem imersão e qualidade da experiência. A realidade traduzida por Calopresti serve como um raio-x do cotidiano e uma orientação direta para formuladores de políticas e agentes do setor: convém ouvir a terra e as pessoas antes de tentar resumir o que é — e o que pode vir a ser — a Calábria.


