Caso Ranucci: MP de Roma aponta Valter Lavitola como mandante e acusa de crime de "strage"
MP de Roma acusa Valter Lavitola como mandante do atentado a Sigfrido Ranucci e inclui crime de strage; buscas e apreensões seguem em andamento.
RESUMO ✦
Sem tempo? A Lili IA resume para você
Caso Ranucci: MP de Roma aponta Valter Lavitola como mandante e acusa de crime de "strage"
Por Giulliano Martini — A investigação sobre o atentado contra o apresentador do Report, Sigfrido Ranucci, ocorrido em outubro passado em Pomezia, no litoral de Roma, ganhou novos capítulos nesta semana. O Ministério Público de Roma, chefiado pelo procurador Edoardo De Santis, que herdou o inquérito de Carlo Villani, imputou ao empresário e ex-jornalista Valter Lavitola a acusação adicional de strage (crime de massacre).
O quadro probatório consta de um decreto de busca de sete páginas, cumprido pelos carabinieri do Nucleo Investigativo do Comando Provincial de Roma e do Grupo Frascati, direcionado contra Lavitola e outras seis pessoas. No documento estão descritas diligências realizadas, indícios de ligação entre os investigados e a dinâmica pela qual teria sido encomendado o ataque.
Foram sequestrados aparelhos telefônicos e computadores pertencentes a Valter Lavitola, que agora serão analisados pelos peritos do Nucleo di via in Selci para consolidar as imputações formuladas pela acusação. Na peça de investigação aparece, entre outros, o nome de Gomes Clesio Tavares, um cidadão camaronês de 47 anos, apresentado pelos investigadores como intermediário entre o empresário e os executores materiais do atentado.
Segundo o decreto, Lavitola teria confiado a Clesio Tavares a tarefa de "individuare soggetti in grado di reperire esplosivo e farlo esplodere davanti all'abitazione del giornalista". Além disso, consta que no dia 16 de setembro, um mês antes do ataque, ambos teriam realizado um "sopralluogo" nas imediações da residência do jornalista — elemento que, se confirmado, reforça a tese de planejamento e execução deliberada.
Os investigadores também apontam vínculo entre Gomes Tavares e a sociedade Cefalù srl, que administra o restaurante Cefalù Bistro no bairro de Monteverde, em Roma, estabelecimento cuja atividade seria atribuída a Lavitola. Tal conexão é destacada no decreto como parte do encadeamento probatório que liga mandante, intermediário e executores.
As acusações originais contra Lavitola e os demais — que incluem detenção e transporte em local público de artefato explosivo, ameaça e dano — permanecem, todas com a qualificadora do metodo mafioso. A inclusão do delito de strage amplia a gravidade jurídica do caso e indica para a acusação a intenção de atingir um número indefinido de pessoas, agravando a medida de persecução penal.
Até o momento, apesar dos elementos contidos no decreto, não foram solicitadas medidas cautelares contra o ex-editor, conforme explicaram os responsáveis pela investigação, que seguem avaliando e cruzando as provas. A fase atual é de aprofundamento técnico: análise de dispositivos apreendidos e confronto de relatórios periciais.
Esta linha de investigação foca agora na figura dos mandantes, sequência que se soma à operação de 30 de junho, quando os carabinieri cumpriram quatro medidas cautelares — três prisões em flagrante e uma custódia domiciliar — contra o comando que teria executado a ação mediante encomenda. Aquela operação foi orientada pela Direzione Distrettuale Antimafia em Roma e identificou os supostos operadores do ataque, já indiciados com a agravante das modalidades mafiosas.
O caso segue em desenvolvimento. A apuração em curso privilegia o cruzamento de fontes e a análise forense de dispositivos eletrônicos para transformar os indícios em prova robusta, evitando ruído investigativo e assegurando a clareza dos fatos.