Cinturrino mantém defesa: “Nunca usei violência”, diz policial preso por morte de Mansouri em Rogoredo
Cinturrino nega violência e afirma ter agido por medo; testemunhas reafirmam acusações sobre ameaças e irregularidades em Rogoredo.
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Cinturrino mantém defesa: “Nunca usei violência”, diz policial preso por morte de Mansouri em Rogoredo
Por Giulliano Martini — Apuração in loco e cruzamento de fontes. Em duas sessões de incidente probatório realizadas no terceiro andar do Palácio de Justiça de Milão, a instrução não alterou o quadro das acusações, mas cristalizou as versões em conflito sobre a morte de Abderrahim Mansouri. De um lado, seis testemunhas — jovens com fragilidades sociais — reafirmaram relatos de ameaças, agressões e irregularidades cometidas durante abordagens no boschetto de Rogoredo. Do outro, o assistente‑chefe do comissariado Mecenate, Carmelo Cinturrino, apresentou declarações espontâneas em que nega qualquer uso de violência e afirma ter agido dentro da legalidade.
Os depoimentos, ouvidos pelo juiz Domenico Santoro, pelo Ministério Público representado por Giovanni Tarzia e pelas defesas, resultaram em mais de 20 horas de perguntas e respostas distribuídas ao longo de dois dias. Testemunhas descreveram supostas ameaças sofridas durante controles no ponto conhecido pelo tráfico local, atribuíram ao agente o apelido de "Luca martello" e o acusaram de portar arma contra consumidores e vendedores, e até de apropriar‑se de droga e dinheiro. Essas denúncias motivaram, por sua vez, representações por calúnia apresentadas pelos advogados de Cinturrino.
Entre os relatos está o de um jovem que afirma ter sido agredido durante uma revista no próprio comissariado; outro disse que foi lavrado um auto falso quando foi preso no bairro Corvetto; e um terceiro descreveu as ameaças atribuídas a Cinturrino direcionadas a Mansouri em disputa por espaço na praça de venda de drogas em Rogoredo. A defesa das vítimas considera essas declarações com elevada credibilidade; a acusação de testemunhos fabricados, porém, é sustentada pelos advogados do policial.
No único momento em que ocupou a palavra formalmente, Cinturrino apresentou uma fala de defesa curta e direta: "Sempre fui um policial correto, sempre trabalhei no interesse da justiça, a farda sempre foi a minha paixão. Não usei violência contra ninguém, não retirei droga ou dinheiro, sempre agi no pleno respeito da legalidade". Em outro trecho das declarações espontâneas, trouxe um pedido de lamento: "Sou enormemente desapontado pela morte que esse rapaz teve e pela morte que eu mesmo fiz" — tradução literal do trecho em que admite remorso.
O policial, em prisão preventiva, responde por homicídio voluntário de Abderrahim Mansouri, 28 anos, atingido por um tiro na cabeça na noite de 26 de janeiro último durante uma operação antidroga no boschetto. Cinturrino reiterou em juízo que disparou porque teme que o movimento do jovem — ajoelhando‑se ou curvando‑se — tenha criado uma suspeita de risco imediato, justificativa que sustenta ter sido de medo pela própria integridade.
Os autos apontam, além do homicídio, cerca de trinta imputações que vão das ameaças ao envolvimento com o tráfico. A sessão de incidente probatório não produz amanhã jurídica imediata para nenhuma das partes, mas fornece material probatório que será avaliado pela acusação e pela defesa no desenvolvimento das investigações e do processo. Este é o raio‑x do cotidiano judicial: fatos brutos, versões opostas e necessidade de checagem rigorosa antes de qualquer conclusão final.