Claudio Amendola admite vícios, desperdício de dinheiro e abandono emocional: "Eu fugia da dor"

Claudio Amendola fala sobre uso de substâncias, desperdício de dinheiro e culpa pelos filhos; decisão de mudar veio com a responsabilidade paterna.

Claudio Amendola admite vícios, desperdício de dinheiro e abandono emocional: "Eu fugia da dor"

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Claudio Amendola admite vícios, desperdício de dinheiro e abandono emocional: "Eu fugia da dor"

Por Giulliano Martini — Em entrevista ao Vanity Fair, Claudio Amendola descreveu a trajetória que o levou a erguer uma verdadeira armadura para suportar um sofrimento privado e a admitir ter usado substâncias e perdido dinheiro como mecanismos para anestesiar a consciência. O ator, que volta à tela com o retorno de I Cesaroni, fez um relato direto sobre a sua relação com os próprios vícios, o impacto na família e o processo de responsabilização.

Amendola explicou que, por grande parte da vida, evitou confrontar sentimentos dolorosos. "Non sono mai andato in analisi, ma con il senno di poi posso dire di essere sempre fuggito dal dolore fin da bambino", disse ao veículo, traduzido aqui em termos de autocrítica: ele reconhece que a fuga foi uma constante e que a armadura nem sempre foi suficiente. "Non posso escludere che tutti i miei vizi fossero semplicemente un modo per continuare a rimandare quello che era inevitabile", afirmou.

O ator falou sem eufemismos sobre o uso de substâncias e sobre a gestão do dinheiro. Segundo ele, o desperdício de recursos financeiros funcionava como complemento à busca por um alívio temporário: "Se fai uso di sostanze e hai un rapporto con il denaro come quello che ho avuto io è evidente che tu abbia dei sensi di colpa che cerchi di spegnere". Esses sentimentos de culpa, acrescentou, foram sobretudo em relação aos filhos: "Delle mancanze da parte mia ci siano state: avrei potuto fare meglio, specie con le mie due più grandi".

Foi a responsabilidade paterna que, na sua avaliação, se tornou o ponto de virada. "Con il tempo le esigenze cambiano e ho capito che dovevo fare la mia parte per essere stabile, soprattutto per i miei figli. Sono stati loro l'ago della bilancia", declarou Amendola, que atribui aos descendentes a motivação para abandonar certos comportamentos autodestrutivos.

No balanço pessoal, o ator também falou sobre a aceitação do próprio limite e do conceito de fracasso. Ele admite que a autoconfiança exacerbada o tornou, em alguns momentos, agressivo nas críticas e prevaricador nas posições. Essa impetuosidade, segundo ele, tem raízes na educação: liberdade ampliada na infância e responsabilidades assumidas cedo moldaram um temperamento que exigiu trabalho e contenção ao longo da vida.

Amendola abordou ainda a relação de 25 anos com a atriz Francesca Neri, que terminou, segundo ele, por escolha própria: "Venticinque anni insieme non si cancellano, e mi riempie il cuore di gioia che sia io che Francesca siamo finalmente in equilibrio". O fim do relacionamento foi descrito como uma decisão difícil, mas necessária para retomar autonomia e reconstruir estabilidade emocional.

O relato de Claudio Amendola é um diagnóstico limpo e sem artifícios: um homem que confronta erros, quantifica perdas (em comportamento e em dinheiro) e que, por fim, reaprende a caminhar com responsabilidade. A fonte da entrevista é o número atual do Vanity Fair, e o relato reforça a imagem de um ator que, além de carreira, está em um processo público e verossímil de reparação e autocrítica, motivado sobretudo pela presença dos filhos e pela necessidade de estabilidade.