Clooney em Cuneo: encontro com estudantes e crítica a Trump — “Querer o fim de uma civilização é crime”

George Clooney em Cuneo debate direitos, NATO e imprensa com estudantes; critica Trump: 'quem quer o fim da civilização comete um crime'.

Clooney em Cuneo: encontro com estudantes e crítica a Trump — “Querer o fim de uma civilização é crime”

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Clooney em Cuneo: encontro com estudantes e crítica a Trump — “Querer o fim de uma civilização é crime”

Em apuração in loco no Palazzetto dello Sport de Cuneo, milhares de estudantes do ensino médio participaram do ciclo Dialoghi sul Talento, promovido pela Fondazione CRC, onde o ator e ativista George Clooney conversou sobre direitos, cidadania e o papel das instituições internacionais. O evento, que contou com o apoio do festival Collisioni e da Clooney for Justice Foundation, integra uma série de encontros que já trouxeram nomes como Kerry Kennedy, Paolo Nespoli, Andrea Bocelli, Pep Guardiola, Steffi Graf e Andre Agassi.

O formato, segundo os organizadores, tem objetivo claro: oferecer às novas gerações oportunidades de confronto direto com personalidades de relevo internacional e inspirar escolhas civis e profissionais. Em discurso direto, sem floreios, Clooney abordou temas que mobilizam o público jovem — da saúde do cinema às tensões geopolíticas contemporâneas.

Sobre o mundo do espetáculo, o ator relatou abusos vividos no início da carreira e avaliou a evolução do setor. "Se fui testemunha de direitos não respeitados no cinema? Sim: quando eu era jovem, diretores e produtores eram gentaglia, gritavam, não tratavam bem os atores; as atrizes eram tratadas ainda pior. Não acredito que se possa mais comportar assim e isso é positivo", disse. Em referência ao escândalo Weinstein, acrescentou: "Melhorou o modo como as pessoas são tratadas no set; tenho confiança na próxima geração. Nós cometemos erros e esperamos que se melhore ainda mais".

Na área dos direitos humanos e da liberdade de imprensa, Clooney destacou ações concretas. "É difícil dizer qual foi o maior sucesso para mim. Eu diria o fato de termos conseguido libertar mais de cem jornalistas das prisões. Tenho muito orgulho disso. Não se pode defender a democracia sem proteger quem diz a verdade". O comentário remete ao trabalho coordenado com a advogada Amal Clooney, especialista em direitos humanos, que atua em defesa de jornalistas presos por razões políticas.

Ao ser questionado sobre sua visão, como cidadão americano, do cenário internacional, o ator manifestou preocupação com a situação da NATO: "Estou preocupado pela NATO, que garantiu segurança à Europa e ao mundo. Desmontar uma instituição assim me preocupa". Em seguida, fez uma advertência direta sobre o discurso de alguns líderes: "Alguns sustentam que Donald Trump é perfeitamente aceitável, mas se há quem diga que quer pôr fim a uma civilização, isso é um crime de guerra".

O tom do encontro foi de diálogo pragmático — cruzamento de fontes e fatos brutos —, com alimentação de perguntas dos estudantes e respostas factuais do ator. A sessão reforçou o objetivo do ciclo: fornecer aos jovens elementos para reflexão crítica sobre democracia, imprensa e responsabilidade global.