Coliseu: lado sul requalificado ganha novo pavimento em travertino e releitura dos ambulacros
Requalificação do lado sul do Coliseu: novo pavimento em travertino de Tivoli e releitura dos ambulacros recuperam perímetro perdido há séculos.
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Coliseu: lado sul requalificado ganha novo pavimento em travertino e releitura dos ambulacros
Inaugurado o novo allestimento e concluída a requalificação da área arqueológica dos ambulacros meridionais do Coliseu (Colosseo). O projeto devolve visibilidade e escala a um setor do anfiteatro que esteve perdido por quase quinze séculos.
O versante sul, por onde originalmente circulava o imperador e que se assentava sobre um terreno aluvional mais instável, sofreu colapsos já entre os séculos VI e VII d.C. Em sua forma primitiva, esse lado do anfiteatro alcançava cerca de 50 metros de altura, como o lado norte, mas grande parte das fachadas e das estruturas porticadas desapareceu ao longo dos séculos.
O trabalho de valorização e requalificação foi conduzido pelo Parco archeologico del Colosseo, que assinou a direção técnico-científica, com projeto do estúdio do arquiteto e urbanista Stefano Boeri. No antigo passeio coberto foi colocada nova pavimentação em travertino de Tivoli, a mesma pedra que compunha a superfície original em época flavia, assentada na cota histórica do pavimento do anfiteatro.
Visualmente, a nova intervenção restitui ao visitante o perímetro das duas galerias (ambulacros) que faltavam no lado sul, marcando onde se alinhavam as duas filas de pilares que sustentavam as abóbadas. Elementos de piso e sinalética arquitetônica foram posicionados sobre o caminho antigo para evocar a sequência original dos ambulacros, sem reconstruir as estruturas perdidas, mas permitindo a percepção clara da extensão e das proporções originais do monumento.
“O sentido é permitir a todos perceber qual era a verdadeira extensão do Coliseu no lado sul e as suas proporções”, explicou Stefano Boeri ao apresentar o projeto. A distinção entre o perfil antigo do anfiteatro e a praça moderna, pavimentada em sampietrini, foi reforçada pela reposição do nível de piso na cota flavia.
Os trabalhos incluíram escavação arqueológica e a pavimentação em travertino, executados com recursos de compensação das obras da metropolitana C. O canteiro, com coordenação do Parco, foi oficialmente concluído em fevereiro. Segundo Alfonsina Russo, chefe do departamento para a valorização cultural, “os escavos arqueológicos permitiram trazer à luz um setor esquecido por quinze séculos, aprofundando aspetos da construção e do funcionamento do Coliseu”.
O novo allestimento busca equilíbrio técnico e estética reconciliadora: a intervenção não repõe o edifício perdido na íntegra, mas propõe uma leitura didática e mensurável do espaço, baseada em investigação arqueológica e uso de materiais compatíveis. Em termos práticos, a circulação de visitantes no lado sul passa a oferecer uma experiência mais próxima da fisionomia original do monumento, sem prejudicar a fruição atual da piazza.
Reportagem e cruzamento de fontes com a direção do Parco e as notas oficiais do projeto indicam que a requalificação do versante sul do Coliseu representa um passo relevante na proteção e na fruição pública do sítio, aliando recuperação paisagística, precisão arqueológica e materiais originais.


