Controle judicial à Caddell por suposto caporalato no canteiro do novo Consulado dos EUA em Milão é confirmado

GIP de Milão convalida controle judicial à Caddell por suposto caporalato no canteiro do novo Consulado dos EUA; gestor preso e administrador nomeado.

Controle judicial à Caddell por suposto caporalato no canteiro do novo Consulado dos EUA em Milão é confirmado

RESUMO ✦

Sem tempo? A Lili IA resume para você

Gerando resumo com IA...

Controle judicial à Caddell por suposto caporalato no canteiro do novo Consulado dos EUA em Milão é confirmado

Milão — A juíza de instrução (GIP) de Milão, Angelica Cardi, convalidou o controle judicial imposto à construtora norte-americana Caddell Construction no âmbito da investigação sobre suposto caporalato envolvendo trabalhadores empregados nas obras do novo Consulado dos EUA em Milão. A decisão formaliza medidas destinadas a impedir o reaparecimento de práticas de exploração e a garantir a regularização das condições laborais.

Foi nomeado administrador judicial o engenheiro Francesco Brigatti, com atribuições explícitas: "impedir que se verifiquem situazioni di grave sfruttamento lavorativo e controllare il rispetto delle norme e delle condizioni lavorative, specialmente con riguardo alla corresponsione di adeguata retribuzione". Além disso, Brigatti terá poderes para promover a regularização de trabalhadores que, no momento do procedimento, prestavam serviço sem contrato formal e adotar medidas mesmo em desconformidade com propostas do empresário, quando necessário para evitar a repetição das infrações.

A magistrada registrou, com base nas investigações iniciais, indícios graves de que os fatos teriam atingido mais de três trabalhadores e que há a agravante de o crime ter sido cometido mediante violência ou ameaça. Segundo o despacho, "tutti i lavoratori hanno riferito che dinanzi alle loro rimostranze ... venivano minacciati di essere licenziati e di essere costretti a rientrare nel proprio paese di origine" — relato unânime dos operários ouvidos.

O documento judicial destaca que as práticas de tratamento remuneratório não aparentam ser iniciativas isoladas de empregados de nível inferior, mas sim uma espécie de consuetudine aziendale, isto é, um padrão repetido nas rotinas da empresa.

Entre os nomes envolvidos, surge o do indiano Aji Appukuttan, apontado como presunto "caporale operativo" da Caddell. As investigações indicam que Appukuttan teria intimidado pelo menos cinquenta trabalhadores, inclusive quando alguns apenas solicitavam afastamento por tempo estritamente necessário para recuperação após acidentes ocorridos no canteiro.

Outro investigado é Ulas Demir, 46 anos, um dos gestores da filial italiana da empresa. Demir fez uso da faculdade de não responder durante o interrogatório perante o juiz para as investigações preliminares em Bérgamo. O GIP convalidou o seu arresto e determinou a custódia cautelar em carcere. O gestor fora detido no aeroporto de Orio al Serio, enquanto se preparava para embarcar com destino a Istambul; em sua defesa, declarou que não tentou se furtar às investigações e que, quando detido, não lhe havia sido imposto qualquer proibição de saída do território.

As medidas cautelares e o controle judicial integram uma investigação mais ampla sobre alegado escravização laboral nas obras do novo Consulado dos Estados Unidos em Milão. Nos próximos atos processuais, o juiz deverá avaliar elementos adicionais colhidos pela polícia judiciária, aprofundamentos periciais e depoimentos que possam consolidar o quadro probatório.

Apuração in loco, cruzamento de fontes judiciais e entrevistas com trabalhadores compõem a base factual desta reportagem, que segue acompanhando os desdobramentos do caso e a implementação, pelo administrador judicial, das medidas de regularização e proteção aos trabalhadores.

Giulliano Martini — Espresso Italia. Reportagem com rigor técnico e verificação documental.