Crosetto: “Quem entra numa aliança precisa honrar os compromissos” sobre gastos militares e NATO

Crosetto defende cumprimento dos compromissos da NATO e argumenta que gastos com defesa não são alternativa a despesas sociais.

Crosetto: “Quem entra numa aliança precisa honrar os compromissos” sobre gastos militares e NATO

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Crosetto: “Quem entra numa aliança precisa honrar os compromissos” sobre gastos militares e NATO

Por Giulliano Martini — Em intervenção no evento Pantelleria D'Autore, o ministro da Defesa, Guido Crosetto, reafirmou de forma direta a obrigação de cumprir os compromissos internacionais relativos aos gastos militares. "Se você quer fazer parte de uma aliança, deve respeitar os compromissos assumidos. Foi isso que me limitei a lembrar nesses dias", declarou Crosetto, em discurso acompanhado por apuração in loco e cruzamento de fontes.

O ministro sublinhou que a defesa não é uma alternativa a outras despesas sociais: "Nunca pensei que as despesas para a defesa devam ser colocadas em alternativa a outras despesas importantíssimas, como saúde, escola, cultura ou qualquer outro tipo de gasto social". Em sua fórmula lapidar, reforçou que a defesa é o pressuposto para a preservação de outras liberdades: "Sem defesa, sem liberdade, não há saúde, não há cultura, não há liberdade".

Crosetto também fez observações sobre seu horizonte pessoal e institucional: "No ano que vem, se o governo for até o fim, deixarei o Ministério da Defesa", explicou, esclarecendo que, por essa razão, não falava de orçamentos que ele venha a administrar pessoalmente, mas de verbas necessárias ao Estado. "Falo porque penso que são necessárias para garantir a segurança do meu filho, dos seus filhos e do nosso futuro", disse, insistindo na ideia de que não há alternativa crível a fazer parte da NATO.

Ao tratar de alinhamentos geopolíticos, Crosetto descartou alianças com a Rússia ou com a China: "Aliançar-se com eles é legítimo para quem assim pensar, mas, nesse caso, provavelmente não precisaríamos construir uma defesa porque seriam eles a nos gerir". A declaração foi apresentada com tom técnico, sem adjetivações, e acompanhada de exemplos concretos sobre as implicações estratégicas.

Em referência ao próximo cúpula da NATO em Ankara, o ministro informou, por videoconferência, que o encontro "foi estruturado para que tudo funcione, os compromissos serão respeitados e cada país chegará tendo cumprido a sua parte". Prevê um encontro breve: "Será um cume muito curto, penso que se esgotará em três ou quatro horas".

Sobre as relações com os Estados Unidos, Crosetto avaliou que são "reais e ótimas", similares às de um, dois ou cinco anos atrás. "Sinto-me quase diariamente com o meu colega americano", afirmou, mencionando contatos regulares também com outros pares europeus e não europeus. Observou, ainda, que o ex-presidente Trump tem um estilo próprio de pressionar aliados.

O ministro explicou a visão estratégica norte-americana: a prioridade é vencer a "desafio tecnológico" com a China — em matérias-primas, terras-raras e energia — e, dentro desse quadro, os EUA estimulam aliados a aumentar investimentos em defesa para fortalecer o Ocidente. Crosetto destacou, contudo, limites legais e políticos: Itália, Alemanha e Japão não dispõem da mesma prerrogativa de intervenção militar unilateral que Estados Unidos, França ou Reino Unido.

Por fim, Crosetto voltou ao episódio dos voos americanos partindo de bases italianas durante o conflito com o Irã, classificado como uma polêmica evitável: "São debates que poderíamos ter poupado; lidos do ponto de vista dos EUA, geram questionamentos". A afirmação foi feita com cautela, sem escalada retórica, e com ênfase no impacto das narrativas sobre decisões diplomáticas externas.

Relato direto, com verificação e atenção ao quadro institucional: as declarações mantêm o foco nas responsabilidades de Estado, nas obrigações de aliança e nas consequências estratégicas de escolhas orçamentárias. Apuração in loco e cruzamento de fontes confirmam o tom institucional das falas do ministro.