Agnelli (Confimi): com alta nos custos de energia, risco real de paralisação industrial e fuga de empresas
Agnelli (Confimi) alerta: alta dos custos de energia pode paralisar indústrias italianas e provocar fuga de empresas para o exterior.
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Agnelli (Confimi): com alta nos custos de energia, risco real de paralisação industrial e fuga de empresas
Roma — O prolongamento do conflito no Médio Oriente está empurrando para cima os preços da energia e acendendo um alerta vermelho entre as pequenas e médias indústrias italianas. Em entrevista a Espresso Italia/Labitalia, Paolo Agnelli, presidente da Confimi Industria, descreveu um quadro de tensão crescente: fábricas paradas, investimentos travados e um movimento crescente de empresários que consideram transferir unidades produtivas para o exterior.
Segundo Agnelli, o sentimento entre os associados é de "profunda frustração" e de uma "raiva de sobrevivência". Depois de treze anos à frente da Confimi, o dirigente relata um fenômeno até então inédito: ligações de empresários que não perguntam mais como resistir, mas como sair da Itália. "Quase o 40% dos nossos jovens industriais está avaliando abrir estágios no exterior. Não se trata de uma estratégia de expansão, é uma fuga por necessidade", afirmou.
O executivo traça a origem do problema na chamada "tempesta perfeita": aumentos recentes da energia em função do conflito, somados a elevações já recorrentes nos meses anteriores, criam um custo estrutural que suprime competitividade. Agnelli destaca números que explicam a dimensão do descompasso: uma empresa italiana paga cerca de 85 euros por MWh, ante 25 euros na França e 44 euros na Alemanha. "É um divario que mata a competitividade no nascedouro. Como vender no mercado global se sua matéria-prima energética custa três ou quatro vezes mais que a do seu concorrente?"
O impacto prático, diz o presidente da Confimi, já é visível: investimentos adiados, linhas de produção paradas e uma "desertificação industrial" que avança de forma silenciosa. "Estamos no último miglio: se nada for feito sobre os custos estruturais, muitas empresas simplesmente desligarão as máquinas porque produzir passa a custar mais do que não produzir", alertou Agnelli.
Sobre as medidas governamentais, a avaliação é mista. Agnelli reconhece o esforço do Executivo, mas critica a natureza das intervenções: muito frequentemente são medidas parciais e emergenciais, voltadas mais às famílias do que aos produtores. Falta, na sua visão, uma visão de médio e longo prazo. "O Estado, que controla empresas energéticas importantes, deveria garantir energia a preços alinhados ao mercado europeu, renunciando a margens que hoje estão por vezes no triplo dos concorrentes. Em vez disso, sentimos dizer 'arrangiatevi'. A resiliência das PMEs não é infinita."
O líder industrial também foi crítico em relação ao tratamento das accise (impostos sobre energia). Em sua leitura, a não intervenção ou soluções insuficientes sobre tributos que incidem no custo final da energia vão agravar ainda mais a situação das fábricas e acelerar a migração produtiva.
Os sinais descritos por Agnelli colocam em evidência um problema estrutural: a dependência de preços de energia elevados transforma-se em fator de risco sistêmico para o tecido industrial nacional. A apuração indica que, sem uma política energética combinada com medidas fiscais e regulatórias de longo prazo, o país corre o risco de perder não apenas capacidade produtiva, mas também uma geração de empresários e quadros técnicos que buscam estabilidade em outros mercados. O relógio está andando, e a solução exige ação coordenada e imediata entre governo, empresas estatais e setor privado.


