Autovelox 2.0: inteligência artificial começa a flagrar motoristas com celular e sem cinto no Reino Unido
Autovelox 2.0 no Sussex usa inteligência artificial para detectar uso de celular e ausência de cinto; especialistas alertam para riscos à segurança e privacidade.
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Autovelox 2.0: inteligência artificial começa a flagrar motoristas com celular e sem cinto no Reino Unido
Em uma mudança técnica e operacional com impacto direto na fiscalização de trânsito, autoridades do condado de Sussex, no Reino Unido, ativaram em 13 de abril uma nova rede de câmeras dotadas de inteligência artificial. O sistema, fornecido pela empresa australiana Acusensus, não atua apenas como medidor de velocidade: trata-se de um verdadeiro autovelox 2.0 capaz de "ver" dentro dos veículos em passagem e identificar condutas até aqui de difícil comprovação.
As câmeras operam em alta resolução e usam um flash infravermelho que possibilita imagens nítidas através do para-brisa, de dia ou de noite, com chuva, neblina ou sol intenso. O algoritmo processa automaticamente cada quadro para detectar, em tempo real, duas infrações específicas: uso de celular segurado pela mão do motorista e a ausência do cinto de segurança por parte dos ocupantes.
O projeto é financiado pelos fundos destinados à recuperação da segurança viária da polícia do Sussex, entre os quais constam os rendimentos de cursos de reeducação para condutores. A implementação em larga escala da tecnologia marca uma transição dos postos móveis e das abordagens presenciais para postos fixos de monitoramento automatizado.
Na avaliação técnica, a solução promete ampliar a capacidade de autuação sobre comportamentos negligentes que contribuem para acidentes. Em termos operacionais, os registros produzidos pelo sistema podem resultar em autuações administrativas sem necessidade de abordagem imediata.
Contudo, a iniciativa gerou alerta por parte de entidades de defesa do consumidor. Em contato com a reportagem, Massimiliano Dona, presidente da Unione nazionale consumatori, apontou riscos práticos e legais: “O que era regra — a contestação imediata de uma infração — tornou-se exceção. Hoje prevalecem quase exclusivamente estações fixas de detecção automática. Os controles remotos substituíram os agentes. É um perigoso passo atrás na segurança, uma vez que se o motorista está em velocidade excessiva ou usando o celular, é naquele momento que constitui risco e deveria ser parado e multado.”
Dona acrescenta que receber uma multa 90 dias depois é preferível a nada, mas não previne o acidente. Ressalta ainda dois requisitos inegociáveis: a homologação dos aparelhos pelo ministério competente e a preservação do direito de defesa e da privacidade dos consumidores. Como exemplo de abuso, citou imagens usadas para comprovar avanço no semáforo que mostram apenas as duas rodas dianteiras além da linha de parada.
Do ponto de vista jornalístico — com apuração in loco e cruzamento de fontes técnicas — permanecem questões abertas sobre limites de atuação do monitoramento automatizado, a precisão dos algoritmos em condições adversas e os mecanismos de contestação administrativa. O avanço da inteligência artificial na fiscalização rodoviária promete maior capacidade de detecção, mas coloca no centro do debate o equilíbrio entre prevenção, eficácia punitiva, transparência e garantias processuais.