Ballarè (Manageritalia): contratos realmente representativos são referência para uma retribuição justa e equa
Ballarè (Manageritalia) defende que contratos verdadeiramente representativos devem guiar a definição de retribuição justa e equa, com diálogo e regras claras.
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Ballarè (Manageritalia): contratos realmente representativos são referência para uma retribuição justa e equa
Por Giulliano Martini — Em entrevista ao Espresso Italia/Labitalia, Marco Ballarè, presidente de Manageritalia, defendeu que o parâmetro para definir uma retribuição justa e equa não pode ser extraído de acordos apenas pela sua difusão, mas sim dos contratos representativos, assinados dentro de regras claras e por organizações verdadeiramente representativas.
Ballarè, que dirige a federação dos gestores e quadros do setor terciário — que hoje reúne mais de 47.000 associados — observou que as discussões recentes na imprensa sobre uma possível intervenção do Governo na delega para a retribuição 'giusta ed equa' recaem sobre um tema sensível e estratégico. "É imprescindível que qualquer hipótese seja construída com base na legítima representatividade", afirmou. Para o presidente, as opções legislativas devem nascer de um confronto efetivo com todas as partes sociais, aproveitando o trabalho já em curso para definir critérios partilhados de representatividade e perímetros contratuais.
O diagnóstico apresentado por Ballarè é técnico e direto: adotar como parâmetro acordos nascidos à margem do sistema — por vezes concebidos para reduzir salários e proteções — seria um erro grave e uma contradição frontal com o objetivo de proteger o trabalhador. "Uma lei séria deve reforçar a contratação autêntica, não assumir como referência instrumentos no limite do permitido", advertiu.
Na análise do presidente de Manageritalia, o critério da rappresentatività não é um pormenor técnico, mas o mecanismo de salvaguarda que separa uma boa negociação coletiva do que configura dumping contratual. Por isso, reforçou, o ponto de referência deve ser constituído pelos contratos assinados pelas organizações comparativamente mais representativas: este é o caminho adequado para proteger os trabalhadores, combater a pirataria contratual e assegurar uma competição leal entre empresas.
Ballarè sublinhou ainda que o processo deve ser inclusivo. "Também a direção e a gestão — destacou — devem ser ouvidas: não são alheias ao fenómeno da contrattazione pirata e podem contribuir com propostas concretas, sustentáveis e coerentes com as dinâmicas do mercado de trabalho". Ao intervir sobre salários e dignidade do trabalho, concluiu, não se pode optar pela via mais fraca; é necessária uma decisão firme, coerente e assente em regras partilhadas, construída através do diálogo entre todas as partes interessadas.
Da apuração: a posição de Manageritalia soma-se ao debate mais amplo sobre como garantir salários adequados sem abrir espaço à fragmentação normativa que favorece acordos de menor alcance e proteção. O cruzamento de fontes com associações de trabalhadores e representantes empresariais mostra um consenso sobre a necessidade de critérios claros de representatividade, mesmo que persistam divergências sobre os métodos concretos para aferi-los.
Resumo técnico: defender os contratos representativos como referência para uma retribuição justa e equa implica priorizar a legitimidade das organizações signatárias, reforçar a negociação coletiva autêntica e incluir a gestão no diálogo para evitar soluções que fragilizem salários e proteção social.