Como proteger o Made in Italy: 5 empresários apontam soluções práticas e urgentes
Cinco empresários explicam medidas técnicas para proteger o Made in Italy: controles rigorosos, rastreabilidade, formação e regras estáveis.
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Como proteger o Made in Italy: 5 empresários apontam soluções práticas e urgentes
Em antecipação ao Dia Nacional dedicado ao Made in Italy, celebrado em 15 de abril, cinco empresários italianos responderam ao Espresso Italia/Labitalia sobre medidas concretas para proteger as nossas cadeias produtivas. A apuração in loco e o cruzamento de fontes revelam pontos convergentes: a necessidade de controles mais efetivos, traçabilidade, valorização de competências locais e regras estáveis para preservar a competitividade das PMEs.
No setor da segurança rodoviária, Roberto Impero, CEO da Sma road safety, enfatiza que o Made in Italy não é apenas sinônimo de qualidade, mas um modelo industrial avançado, alicerçado em inovação, competências técnicas e responsabilidade pela vida das pessoas. Segundo Impero, as empresas italianas investem em pesquisa e tecnologia para garantir desempenho real dos produtos, não apenas conformidade formal.
Impero chama atenção para recomendações de entidades como a Ansfisa, que demandam sistemas de controle mais rigorosos e verificações concretas ao longo de todo o ciclo de vida das infraestruturas. Na sua avaliação técnica, persiste na Itália um gap nos controles efetivos que compromete tanto a segurança quanto a estabilidade das PMEs. O paradoxo, afirma o executivo, é que o Made in Italy é insuficientemente protegido dentro do próprio país: escolhas de aquisição guiadas predominantemente pelo preço prejudicam empresas mais virtuosas.
Para Impero, a simples marcação CE não assegura plena conformidade para o mercado nacional. São imprescindíveis rastreabilidade, controles substanciais e responsabilização dos produtores. Valorização do Made in Italy, portanto, exige elevar os padrões com regras claras e fiscalização rigorosa, pois em matéria de segurança não cabe concorrência por redução de custos.
No universo da automação industrial, Paola Veglio, administradora delegada da Brovind Vibratori spa, sustenta que a precisão projetual e a inovação tecnológica são instrumentos centrais para enfrentar a concorrência internacional. Veglio aponta uma disparidade nos controles: matérias-primas importadas frequentemente passam por verificações menos rigorosas do que produtos italianos destinados à exportação.
A executiva propõe a introdução de normas compartilhadas sobre segurança, meio ambiente e qualidade, capazes de restabelecer condições de competição equitativas. Veglio também enfatiza a necessidade de construir uma nova narrativa sobre o papel dos operários e artesãos, reconhecendo suas competências tecnológicas e reforçando o diálogo entre empresas e sistema educacional para suprir a carência de mão de obra qualificada.
Ambos os relatos convergem para questões estruturais: custos laborais elevados, proteção institucional insuficiente e um ambiente de instabilidade normativa com incentivos descontínuos. Tais fatores deixam as PMEs isoladas na gestão de crises e no desenvolvimento de iniciativas de valor territorial, com o risco de desencorajar projetos que gerem benefícios amplos.
A partir dos depoimentos levantados, emergem propostas práticas e factuais: adotar padrões de compra pública que priorizem qualidade sobre preço, implementar sistemas de rastreabilidade e certificação robusta, equiparar controles de insumos importados aos aplicados aos produtos nacionais, estabilizar políticas de incentivo e intensificar programas de formação técnica em parceria com a indústria.
Em suma, a proteção do Made in Italy demanda intervenção coordenada entre empresas, autoridades e sistema educacional. São medidas técnicas e regulatórias que visam preservar segurança, competitividade e o capital humano que sustenta a excelência industrial italiana.
Relato e análise por Giulliano Martini, correspondente da Espresso Italia: apuração técnica, cruzamento de fontes e tradução direta dos fatos para orientar decisões públicas e privadas.