Especialista: para ‘esodati 5.0’ é imprescindível programação plurianual, incentivos e recursos garantidos

Ivo Allegro exige programação plurianual, incentivos e recursos certos para os 'esodati 5.0' e critica instrumentos episódicos que travam investimentos.

Especialista: para ‘esodati 5.0’ é imprescindível programação plurianual, incentivos e recursos garantidos

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Especialista: para ‘esodati 5.0’ é imprescindível programação plurianual, incentivos e recursos garantidos

Em entrevista ao Espresso Italia/Labitalia, Ivo Allegro, CEO da consultoria Iniziativa e especialista em programação europeia, finanças agevoladas e política econômica, traçou um diagnóstico rigoroso sobre o impasse nas verbas destinadas às empresas excluídas do plano Transição 5.0. A análise decorre do recente congelamento de recursos que deixou milhares de empresas na condição conhecida no jargão como esodati 5.0.

Allegro relacionou o episódio ao resultado já observado no crédito d'imposta Zes, sustentando que ambos expõem a mesma fragilidade estrutural do sistema de incentivos italiano: "o instrumento de apoio em Itália precisa ser repensado profundamente". Para o consultor, as medidas são demasiadas vezes episódicas, com prazos curtos, anúncios retumbantes e ausência de mecanismos executivos sólidos, o que, na prática, gera efeitos perversos como lock-in e o descompasso do time to market das empresas.

Na sua avaliação técnica, a linha severa adotada pela Confindustria — e em especial o alerta do presidente Emanuele Orsini — é justificada: a falta de fundos para os esodati 5.0 corrói a confiança entre as instituições e o tecido produtivo. "O que Orsini denunciou é, infelizmente, a história de um resultado anunciado", disse Allegro após o cruzamento de fontes com setores empresariais afetados.

O especialista propõe medidas concretas. Primeiro, programação plurianual com linhas orçamentárias seguras e previsíveis: "um horizonte mínimo de 24 a 36 meses é condição necessária para que as empresas planejem investimentos em bens imateriais e digital, pilares do paradigma 5.0". Sem essa previsibilidade, acrescenta, o Estado perde a capacidade de garantir a certeza do direito e o retorno financeiro que sustenta a decisão de investir.

Allegro também destacou o impacto regional: "Há um risco real de frear precisamente as áreas mais dinâmicas, especialmente no Sul. Puglia e Campania apresentaram, no último quadriennio, taxas de crescimento que rivalizaram e até superaram algumas regiões do Norte como Lombardia e Veneto. Essas empresas não podem planejar sem conhecer as dotações financeiras e os mecanismos operacionais efetivos dos instrumentos supostamente automáticos".

Por fim, o CEO da Iniziativa clamou por uma mudança de rumo na Administração Pública. Embora o PNRR (Plano Nacional de Recuperação e Resiliência) tenha devolvido protagonismo à PA, os processos continuam formulados para "ir devagar" e racionar recursos. "Para desencadear o desenvolvimento é preciso um novo paradigma: processos de natureza industrial que ofereçam certezas na gestão das ajudas e uma integração real entre público e privado na implementação e gestão de infraestruturas".

A nota divulgada ontem pela Confindustria exige respeito aos compromissos assumidos em 27 de novembro e convoca um confronto urgente com os ministros Giorgetti, Urso e Foti. A mensagem de Allegro é clara e técnica: sem programação plurianual, incentivos calibrados e recursos certos, o modelo 5.0 corre o risco de ficar no papel — com custos reais para a competitividade do país.

Apuração in loco, cruzamento de fontes e leitura fria dos fatos: o diagnóstico de Allegro exige uma resposta institucional mensurável — não retórica — para evitar o desperdício de capital público e a ruína da confiança empresarial.