FederlegnoArredo: exportação de móveis em janeiro registra queda acentuada, EUA recuam 28,5%
Exportação de móveis italianos recua 13,1% em janeiro de 2026; EUA registram queda de 28,5% enquanto produção permanece estável.
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FederlegnoArredo: exportação de móveis em janeiro registra queda acentuada, EUA recuam 28,5%
Milão – A poucos dias da abertura do Salone del Mobile, os dados de janeiro de 2026 sobre a exportação de móveis italianos retratam um quadro de desaceleração que exige leitura cautelosa. O Centro de Estudos da FederlegnoArredo, com base em estatísticas do Istat, aponta para uma redução significativa das vendas externas no primeiro mês do ano, sem, contudo, permitir conclusões definitivas sobre sua duração ou causas exclusivas.
Segundo o levantamento, as vendas externas do setor no mês ficaram em torno de 700 milhões de euros, com queda de 13,1% em relação a janeiro de 2025. A retração é generalizada: mercados europeus caem 9% e os extra-União Europeia, 17,4%. O recuo mais pronunciado ocorre nos Estados Unidos, com -28,5%. Outros destinos relevantes registraram perdas: França -6,1%, Alemanha -18,4%, Espanha -15,3%, Países Baixos -3,4%, Reino Unido -6,7% e China -46,6%. Os países da Opep apresentam movimento mais contido (-2,5%). Entre as poucas exceções positivas estão Áustria (+12,2%) e República Tcheca (+11,4%), cujos volumes, porém, permanecem reduzidos para alterar significativamente o panorama.
No front interno e de produção, o cenário é menos dramático: a produção industrial do setor manufatureiro registra em fevereiro um aumento de 0,9%, enquanto o bimestre acumula -0,5%, patamar alinhado ao observado no segmento de móveis (estacionário: -0,5% em fevereiro e -0,6% no bimestre acumulado). Esses números sugerem uma base produtiva que resiste, ao menos por ora, à deterioração do mercado externo.
Na interpretação dos analistas da entidade, a leitura de janeiro pede cautela. Parte da queda pode refletir o efeito-comparação com janeiro de 2025, quando houve forte antecipação de pedidos em resposta ao risco de imposição de dazi norte-americanos — fenômeno de estocagem que distorceu a linha de base. Outra variável determinante é a escalada do conflito no Oriente Médio, cuja trajetória pode agravar ou mitigar a demanda internacional nas próximas semanas.
Claudio Feltrin, presidente da FederlegnoArredo, comentou: "Em 2025 registramos crescimento modesto da cadeia legno-arredo (+1,4%), sustentado pelo mercado interno (33 bilhões de euros, +2%) e um export que se manteve praticamente estável (+0,4%). Resultado nada óbvio, que agora precisa ser defendido. O setor já enfrentou choques sucessivos — Covid, guerra na Ucrânia, dazi dos EUA, conflito no Oriente Médio e crise energética — e mostrou capacidade de reação. É preciso, contudo, acelerar a diversificação para mercados de alto potencial e reduzir a exposição a áreas instáveis, protegendo o posicionamento do produto italiano por qualidade e valor agregado, e não por competição de preço".
Da apuração in loco e do cruzamento de fontes, emerge um setor que combina fragilidade externa com resiliência estrutural. Enquanto a exportação amarga perdas, a produção e a demanda doméstica seguram parcialmente o balanço. A recomendação do setor é clara: intensificar ações de penetração em mercados alternativos e proteger margens via diferenciação de produto.
Em síntese, janeiro de 2026 abre um capítulo de atenção para a indústria moveleira italiana: os dados brutos sinalizam uma contração relevante nas vendas externas, com impacto assimétrico por região, mas sem, por ora, confirmar tendência continuada. O próximo trimestre e a evolução do quadro geopolítico serão determinantes para transformar essa dificuldade pontual em reerguimento sustentado ou em crise mais ampla.