Governança como infraestrutura de confiança: Deltha Pharma e o desafio do acesso ao crédito para microempresas

Aceti (Deltha Pharma) defende que a governança é infraestrutura de confiança para tornar microempresas bancáveis e melhorar o acesso ao crédito.

Governança como infraestrutura de confiança: Deltha Pharma e o desafio do acesso ao crédito para microempresas

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Governança como infraestrutura de confiança: Deltha Pharma e o desafio do acesso ao crédito para microempresas

Roma, 15 de abril de 2026 — Em debate promovido pela Associação Nacional dos Financialisti (ANF) na Aula dos Grupos Parlamentares da Câmara dos Deputados, ficou evidenciado um nó estrutural que condiciona o futuro econômico da Itália: a incapacidade de muitas empresas, especialmente as muito pequenas, de traduzir sua atividade em credibilidade junto ao sistema financeiro. O painel, realizado em 14 de abril e moderado por Sergio Luciano, diretor de Economy e Investire, colocou a governança como elemento central para reverter esse quadro.

Maria Francesca Aceti, CEO da Deltha Pharma srl, apresentou o pronunciamento intitulado "A governança como infraestrutura de confiança no sistema econômico e no diálogo entre empresa e sistema bancário". A sua experiência, relatada com objetividade e dados concretos, reforça a tese de que o problema do acesso ao crédito não é exclusivamente financeiro, mas profundamente organizacional e cultural.

"Em 2011 entrei em uma empresa à beira do colapso, com dívidas elevadas e sem acesso ao crédito", relatou Aceti. "Não tínhamos capital, mas construímos confiança por meio da governança, mudando radicalmente nossa relação com os bancos". O caso da Deltha Pharma — que passou de internação em risco de insolvência para possuir rating elevado junto a instituições financeiras — serve como exemplo de transformação viável quando há disciplina organizacional e transparência.

Os números nacionais ilustram a gravidade do problema: das cerca de 4,6 milhões de empresas ativas na Itália, 95% são classificadas como microempresas, com menos de dez empregados. Essa fragmentação implica limitações organizativas e de capacidade de comunicação com as instituições de crédito. Um reflexo direto dessa assimetria é a diferença nas taxas de juros praticadas: empréstimos inferiores a 1 milhão de euros apresentam taxa média de 4,16%, enquanto operações acima desse montante têm taxa média de 3,29%.

Aceti destacou a existência de duas linguagens distintas: as empresas falam de produto e mercado; os bancos falam de risco e sustentabilidade. "A governança é a ponte entre esses mundos", afirmou. Sem essa ponte, disse, ficam oportunidades econômicas por explorar e aumenta a vulnerabilidade do sistema.

O contexto macroeconômico amplia essas fragilidades. Projeções do Istat sinalizam crescimento do Produto Interno Bruto de +0,6% para 2025 e uma necessidade estimada de 3,3 a 3,7 milhões de trabalhadores até 2029. Numa conjuntura assim, a evolução para estruturas empresariais mais robustas torna-se imperativa: a transmissão heterogênea das políticas monetárias penaliza sobretudo as realidades menos organizadas, gerando um círculo vicioso em que a baixa estrutura dificulta o acesso ao crédito e, por consequência, o investimento e a expansão.

O encontro reuniu acadêmicos, representantes institucionais e empresários para um cruzamento de fontes e um diagnóstico objetivo do problema. Das intervenções, emergiu consenso sobre a necessidade de políticas públicas orientadas a apoiar a profissionalização da gestão nas pequenas empresas, combinadas com incentivos para que os bancos internalizem critérios de avaliação que considerem processos de governança e não apenas indicadores financeiros imediatos.

Em síntese: a transformação que Deltha Pharma concretizou não é exceção inatingível. É, segundo Aceti, um roteiro replicável — desde que haja vontade política, ação coordenada entre os atores do mercado e compromisso empresarial com a implementação de práticas de governança que tornem as empresas efetivamente bancáveis.

Apuração in loco, cruzamento de fontes e relato direto de quem enfrentou a crise compõem o quadro factual desta reportagem, que aponta a governança como infraestrutura decisiva para a retomada sustentável do tecido produtivo italiano.