Ilva: advogado Alessandro Paone aponta fracasso na gestão de crises e pede política industrial com decisões antecipadas

Paone: caso Ilva é fracasso do método de gestão de crises; urge política industrial que decida antes da irreversibilidade.

Ilva: advogado Alessandro Paone aponta fracasso na gestão de crises e pede política industrial com decisões antecipadas

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Ilva: advogado Alessandro Paone aponta fracasso na gestão de crises e pede política industrial com decisões antecipadas

Por Giulliano Martini — A avaliação de Alessandro Paone, advogado trabalhista e fundador do Nius Studio Legale, é direta e sem eufemismos: a longa saga da Ilva não é apenas um fracasso industrial, mas sobretudo um colapso do método de gestão de crises adotado pela classe política ao longo de mais de uma década. Em entrevista ao Espresso Italia/Labitalia, Paone afirma que a história do complexo siderúrgico de Taranto deveria impor ao País uma reflexão mais ampla que transcenda o destino da fábrica.

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Segundo o jurista, a passagem de catorze anos foi marcada por um conflito persistente entre necessidades produtivas, tutela ambiental, emprego, magistratura, política — tanto nacional quanto local — sindicatos e território. O resultado, avalia, foi uma sucessão de medidas que apenas ganharam tempo: oito governos intervieram com atos normativos, administrações extraordinárias, recursos públicos e instrumentos de proteção social. No entanto, faltou sempre a capacidade de adotar e sustentar uma estratégia industrial de longo prazo, com autoridade e continuidade independente das mudanças governamentais e das reações contrárias.

Paone ressalta que mecanismos como a cassa integrazione — os instrumentos temporários de proteção do emprego — são essenciais para gerir transições, mas têm natureza transitória e nunca podem se tornar substitutos de uma política industrial efetiva. Preservar a renda dos trabalhadores durante transformações produtivas é necessário; financiar indefinidamente a espera por uma solução que não vem equivale a perpetuar uma crise até torná-la insolúvel.

Na visão do especialista, ao longo desses quatorze anos foram mobilizados recursos públicos consideráveis sem que o País recebesse em troca um complexo industrial saneado e competitivo ou uma alternativa industrial realista. "Isto é preocupante", afirma Paone, frisando que a experiência de Taranto é um aviso claro para as crises industriais do futuro.

Paone lembra que nos anos vindouros fenômenos como a trânsição energética, a automação e a inteligência artificial provocarão mudanças profundas e inevitáveis no mundo do trabalho. Enfrentar esses desafios com o mesmo padrão adotado no caso Ilva — proteger indefinidamente estruturas existentes, exigir que o Estado assuma o papel da empresa e adiar decisões difíceis — seria um erro estratégico com custo social e econômico elevado.

Para o jurista, uma política industrial moderna deve decidir antes que a crise atinja caráter irreversível: identificar quais produções são realmente estratégicas, quais investimentos são necessários, quais transformações são sustentáveis na prática e de que forma acompanhar profissional e socialmente os trabalhadores afetados. "A Ilva demonstra quanto custa a um país não escolher", sintetiza Paone.

Ao concluir, Paone aponta uma lição clara: a necessidade de abandonar a lógica do adiamento perpétuo e construir processos decisórios que privilegiem planejamento, responsabilidade fiscal e proteção social temporária, mas condicionada a objetivos industriais concretos. Para o advogado, é imperativo que a experiência de Taranto sirva de base para protocolos de ação que previnam a repetição de crises idênticas no futuro.

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