Sapelli: diante da crise no Irã, é preciso estar preparado para racionamentos de energia

Sapelli alerta: diante da guerra no Irã, é preciso estar pronto para racionamentos e priorizar a economia de energia e diversificação de fontes.

Sapelli: diante da crise no Irã, é preciso estar preparado para racionamentos de energia

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Sapelli: diante da crise no Irã, é preciso estar preparado para racionamentos de energia

Por Giulliano Martini — O historiador e economista Giulio Sapelli alertou, em entrevista à Espresso Italia/Labitalia, que a União Europeia deve considerar seriamente a hipótese de racionamentos de energia caso a guerra no Irã se prolongue. A análise combina alerta prático e recomendação técnica: não é hora de pânico, mas de preparo.

Segundo Sapelli, "tudo é possível, e não depende somente do fim da guerra com o Irã. Não devemos nos alarmar, porém é necessário estar pronto para tudo, a utilizar qualquer fonte energética". O recado é claro: o risco é real e exige mudança de comportamento e de política energética.

Na avaliação do especialista, é preciso passar a pensar em um regime de escassez de fontes. "Uma observação antiga da ENI permanece válida: o economia de energia é a primeira fonte energética sustentável. Portanto, economizar energia, começando pelas residências, sempre. Do economia de energia pode nascer uma defesa, pois devemos estar prontos para tudo", afirmou.

Sapelli adota tom confiante quando discute a capacidade de resposta: "Já enfrentamos situações complexas. O economia de energia é ação prática que todos podemos e devemos adotar; tem menos impacto negativo sobre a produção, a vida social e as famílias, sobretudo as camadas mais vulneráveis".

Sobre a possibilidade de encerramento do conflito no Oriente Médio, Sapelli sublinha a atuação das diplomacias: "Acredito que, apesar do senhor Trump, as diplomacias norte-americanas estão em ação. A Turquia interveio e o papel da China será decisivo. O importante é que a guerra termine e se encontre um acordo duradouro. Temos o dever de prevenir o terrorismo e defender o Estado de Israel".

O economista também comenta a situação interna do Irã: "O regime iraniano parece gozar de uma aceitação pragmática maior do que se imagina, apesar dos massacres de que foram capazes". Ele lembra ainda a ameaça indireta no Mar Vermelho: a ação dos Houthi contra o tráfego em Suez acrescenta complexidade ao quadro.

Em relação ao cenário italiano, Sapelli avalia as medidas tomadas até agora como limitadas mas úteis: "Fizemos tudo que era possível. A intervenção sobre a accise é ação de política econômica e redistributiva; não é solução para a crise energética. Reduz um pouco o preço do combustível e ajuda a conscientizar que não existe apenas o preço do petróleo bruto, mas também o preço do petróleo refinado". Lembrou que a Itália importa gasolina e depende de poucas refinarias, entre elas as da ENI.

O diagnóstico de Sapelli combina pragmatismo e orientação técnica: reforçar a capacidade de negociação internacional, diversificar fontes, promover economia de energia doméstica e preparar respostas operacionais a um eventual cenário de racionamentos. A postura recomendada é preventiva e baseada em medidas concretas, não em espetáculo político.

Apuração in loco, cruzamento de fontes e atenção aos dados estratégicos permanecem essenciais para monitorar a evolução do conflito e suas repercussões energéticas. A prioridade é reduzir vulnerabilidades e proteger as populações mais expostas aos efeitos de uma eventual crise prolongada.