Teva anuncia corte de 20% na divisão Tapi: sindicatos declaram estado de agitação

Teva anuncia corte de 20% na divisão Tapi na Itália; sindicatos declaram estado de agitação e anunciam greves contra fechamento de Villanterio.

Teva anuncia corte de 20% na divisão Tapi: sindicatos declaram estado de agitação

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Teva anuncia corte de 20% na divisão Tapi: sindicatos declaram estado de agitação

Por Giulliano Martini — Apuração in loco e cruzamento de fontes. A multinacional farmacêutica Teva abriu procedimento de licenciamento coletivo que afetará cerca de 20% do quadro de trabalhadores da divisão Tapi na Itália. O plano prevê a eliminação aproximada de 100 trabalhadores entre os aproximadamente 500 empregados distribuídos em quatro unidades no país.

Segundo as informações oficiais comunicadas pela empresa e confirmadas por representantes das Rsu, o plano inclui o redesenho de organograma nas unidades de Santhià, Rho e Caronno, além da fechamento definitivo do sítio industrial de Villanterio, onde trabalham 30 pessoas.

As organizações sindicais — Filctem Cgil, Femca Cisl e Uiltec Uil — em conjunto com as Rsu, reagiram com crítica contundente. Em nota oficial, classificaram as medidas como uma decisão industrial grave e anunciaram desde já o estado de agitação dos trabalhadores, a suspensão de todas as formas de colaboração e o imediato recuso de horas extraordinárias e a deflagração de paralisações.

Os sindicatos relembram que, nos últimos oito anos, o grupo já havia fechado quatro unidades produtivas na Itália e demitido cerca de 1.000 trabalhadores. Com base em dados financeiros citados pelas entidades, a Teva não estaria agindo por necessidade de sobrevivência econômica: em 2025 a companhia registrou faturamento na casa dos bilhões com crescimento de 4% em relação a 2024, tendência que, segundo as entidades, manteve-se no primeiro trimestre de 2026 com resultados operacionais positivos.

O argumento sindical com respaldo em números públicos aponta que o incremento do resultado operacional, o fluxo de caixa positivo e a valorização da ação — que dobrou até dezembro de 2025 — permitiram ao management alcançar a redução da relação dívida/Ebitda. Para as siglas, portanto, a escolha é estratégica e financeira, e não técnica: “a decisão corresponde a uma precisa opção financeira para maximizar lucros em detrimento do tecido social dos territórios”, afirmam.

As organizações denunciam um processo de desinvestimento estratégico na química de síntese. Após um primeiro intento de venda da unidade Tapi que não se concretizou, acusam a empresa de reduzir deliberadamente as compras internas de princípios ativos, privilegiando fornecedores externos com o objetivo de fazer a divisão aparentar menor rentabilidade — justificativa, segundo elas, para cortes que facilitariam uma futura alienação.

Os sindicatos exigem a reabertura imediata do confronto com a empresa, o repensamento total do plano industrial e a salvaguarda dos níveis ocupacionais. Lançaram, além disso, um apelo urgente às instituições locais e nacionais para que intervenham na tutela da vertente. Nos próximos dias serão calendarizadas novas ações coletivas, greves e manifestações nas áreas afetadas.

Esta redação mantém a apuração em evolução: contatos com interlocutores institucionais e comunicados oficiais da Teva e das representações sindicais estão sendo cruzados. Atualizações serão publicadas conforme novas informações forem verificadas.