Como o interior design com peças 100% Made in Italy transforma a experiência em Villa U Mari, na Sicília
Villa U Mari: como o interior design com peças 100% Made in Italy traduz a identidade da Sicília em experiência turística autêntica.
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Como o interior design com peças 100% Made in Italy transforma a experiência em Villa U Mari, na Sicília
Por Giulliano Martini — Em diálogo direto com a arquitetura e o território, o projeto de interiores de Villa U Mari propõe que a viagem do hóspede continue dentro dos espaços, onde a memória do lugar é traduzida por materiais, cores e móveis. A interior architect Rachel Schilirò, responsável pelo conceito cromático e materico das vilas da Flowcube Tourism na Sicília sud-oriental, detalha como o uso exclusivo de peças Made in Italy e a colaboração com o artesanato local transformam hospitalidade em experiência.
Situada na Sicília, a Villa U Mari é definida por seus autores como um “rifugio scultoreo”: arquitetura minimalista, capacidade para até oito hóspedes e um projeto de interiores pensado para não declarar a identidade regional por estampas óbvias, mas para fazê-la perceber. O ponto de partida, segundo Schilirò, foi o diálogo com o estúdio Cottone + Indelicato, que assina o conceito arquitetônico da casa.
"Ser contemporâneo não significa apagar a identidade do lugar, mas encontrar um novo vocabulário para contá-la", afirma a designer. O trabalho de interiores, explica, nasceu dessa conversa — da vontade de desenvolver a dimensão interna da obra arquitetônica por meio de um concept cromático, escolhas materiais, vegetação e atmosfera. O resultado é um interior onde a Sicília não é repetida em clichês, mas reconhecida nas qualidades sensoriais do espaço.
Na prática, isso passou pela seleção de superfícies, pela curadoria de móveis e pela adoção de acabamentos e objetos produzidos totalmente em solo italiano. Para Schilirò, o Made in Italy não é apenas um rótulo industrial: é um conjunto que reúne cultura, território e saber-fazer. Essa abordagem permite que uma casa de hospedagem atue como veículo de valorização do patrimônio artesanal e, simultaneamente, como geradora de valor para o turismo de luxo local.
O diálogo com o artesanato é, segundo a entrevistada, central para a experiência do hóspede. "Um espaço não se percebe apenas com os olhos. Vive-se através da matéria, das superfícies, da luz, do calor tátil dos tecidos, do peso de um móvel feito à mão". Por isso, a escolha de produtores e artesãos italianos foi criteriosa: peças que estabelecem uma relação direta com o lugar sem cair na representação folclórica.
O projeto de interiores de Villa U Mari busca, assim, equilibrar duas exigências contemporâneas: a autenticidade e a linguagem atual. A materialidade — pedras, rejuntes, madeiras, tingimentos e têxteis — foi trabalhada para construir sequências sensoriais que marcam a experiência de quem circula pela casa. A vegetação e a orientação das vistas reforçam o vínculo com a paisagem siciliana, completando o conjunto.
Do ponto de vista turístico e econômico, a opção por cadeias de produção inteiramente italianas e por parceiros locais também funciona como mecanismo de promoção do território. Segundo a profissional, o turismo de alto padrão pode e deve promover a economia criativa local, apoiando oficinas, pequenos ateliês e fabricantes que preservam técnicas e conhecimentos.
Em suma, o projeto de Rachel Schilirò para as vilas da Flowcube na Sicília demonstra como o interior design pode superar a função decorativa e se posicionar como instrumento de tradução cultural: um percurso que faz a viagem continuar, desta vez dentro do espaço habitado.
Apuração in loco e cruzamento de fontes: entrevista para Espresso Italia/Labitalia.

