Vinho como motor do turismo italiano: enoturismo cresce e promove o Made in Italy de qualidade
Enoturismo cresce e transforma o vinho em alavanca de marketing turístico, promovendo o Made in Italy e impulsionando receitas locais.
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Vinho como motor do turismo italiano: enoturismo cresce e promove o Made in Italy de qualidade
Por Giulliano Martini — Em apuração in loco no Vinitaly em Verona, especialistas do setor traçam um diagnóstico claro: o vinho é hoje a mais eficaz alavanca de marketing turístico da Itália. Em declarações a Espresso Italia/Labitalia, Davide Ciliberti, do grupo de comunicação Purple & Noise, afirmou que o vinho “é o mais eficaz acelerador de marketing para o turismo na Itália”, superando a moda, marcas como a Ferrari e campanhas institucionais.
O raciocínio é objetivo e baseado em observação direta e cruzamento de dados: o vinho entra nas casas e nas mesas de todo o mundo, acompanha momentos festivos e é, ao mesmo tempo, acessível a diferentes faixas de preço — fatores que estimulam a curiosidade sobre sua origem e sobre os territórios produtivos.
Também em Verona, o publicitário de projeção internacional Vicky Gitto reforçou a dimensão territorial do produto: em termos de geomarketing, o vinho tem presença capilar porque, onde há um restaurante italiano, é ainda mais provável que haja uma garrafa italiana na mesa. Esse alcance cotidiano transforma o vinho em um mensageiro constante do Made in Italy.
Os números corroboram as avaliações de campo. O Relatório Aite (Associação Italiana de Turismo Enogastronômico) de 2025 indica que 70% dos entrevistados realizaram ao menos uma viagem nos últimos três anos em busca de comida, vinho, azeite e outras tipicidades locais, com um incremento médio anual em torno de +13%. Globalmente, o enoturismo movimenta quase 40 bilhões de euros por ano, mais da metade direcionada à Europa — com França, Itália e Espanha como destinos preferidos — e com crescimento médio anual próximo de +13% mesmo em um cenário internacional marcado por tensões comerciais e geopolíticas.
Em contraponto às dificuldades do mercado do vinho em alguns canais, o circuito turístico e experiencial representa uma via de resiliência e valorização da produção.
Tiziana Frescobaldi, presidente da Holding Compagnia de’ Frescobaldi, reportou à reportagem que a Toscana observa um forte crescimento do enoturismo. Nas propriedades da família — de Perano no Chianti Classico a Nipozzano, Pomino e Montalcino — a aposta tem sido ampliar a oferta de experiências hospitality. Em Castel Giocondo, produtora do Brunello de Montalcino homônimo, há uma estrutura para acolhimento que permite ao visitante dormir entre vinhedos, visitar a adega e degustar rótulos acompanhados pela história do lugar.
Desde 2012, a iniciativa Artisti per Frescobaldi conecta o vinho com a arte contemporânea: uma coleção de obras inspiradas no território e no universo vitivinícola, aberta ao público, que atua como componente cultural e de atração turística, reforçando o binômio vinho e arte.
Nominalmente citados no evento, grupos e produtores como Antinori e Cusumano, além de profissionais como a Master of Wine Mercuri, contribuem com perspectivas técnicas e de comunicação. O consenso entre as fontes é que o vinho funciona tanto como produto de consumo quanto como ativo territorial capaz de converter interesse global em visitação e gasto local.
Na avaliação final — fruto de cruzamento de fontes, dados setoriais e observação direta durante o Vinitaly — o enoturismo emerge não apenas como mercado em crescimento, mas como um asset estratégico para promover a Itália de qualidade no exterior, conectar cultura, gastronomia e lazer, e gerar retorno econômico para regiões produtoras.