Autópsia de Fakir aponta sangue nos pulmões e indícios de asfixia por compressão em Bolonha
Autópsia no Sant'Orsola indica sangue nos pulmões e sinais de compressão; investigação por homicídio culposo avança com exames complementares.
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Autópsia de Fakir aponta sangue nos pulmões e indícios de asfixia por compressão em Bolonha
Por Giulliano Martini — Apuração in loco e cruzamento de fontes médicas e institucionais apontam que os primeiros resultados da autópsia realizada no Hospital Sant'Orsola sobre o corpo de Abderrahim Fakir, 42 anos, confirmam achados compatíveis com sangue nos pulmões e sinais de compressão torácica.
O laudo preliminar corrobora o que já havia sido detectado pela tomografia computadorizada: presença de sangue vivo nos pulmões e traços de esmagamento no tórax. Resta, porém, esclarecer se o esmagamento ocorreu enquanto a vítima ainda estava viva — por possível excesso de força durante a contenção — ou se se trata de manifestação pós-morte resultante das manobras de reanimação.
As imagens colhidas durante a intervenção policial na via Svevo, tanto as gravadas por moradores quanto pela bodycam de um dos agentes, foram consideradas no trabalho de apuração e exibem o momento em que Fakir é imobilizado no chão. Fontes oficiais também informaram que, conforme reportado por veículos locais, o homem permaneceu pressionado contra o solo por aproximadamente cinco minutos, hipótese que será verificada tecnicamente.
A investigação segue sob a pista de homicídio culposo. Foram inscritos no registro de ocorrências, para fins de diligências preliminares, os nomes dos dois policiais que atuaram na intervenção e de quatro operadores da Cruz Vermelha que prestaram atendimento. Promotores requisitaram exames histológicos, toxicológicos e a verificação detalhada da correção das manobras de reanimação executadas pelos socorristas. O prazo processual para conclusão da autópsia foi fixado em 90 dias.
No Hospital Sant'Orsola estiveram presentes, além dos peritos oficiais, consultores indicados tanto pela família de Fakir quanto pelos agentes e pelos operadores do 118 sob investigação, conforme prática de transparência e controle técnico nos procedimentos forenses.
Em declarações oficiais, o advogado da família, Fabio Anselmo, afirmou: "A meu ver surge um quadro de asfixia por compressão. Haverá agora aprofundamentos e aguardamos as conclusões dos peritos". Já o defensor dos dois policiais, Gabriele Bordoni, registrou posição distinta: "Pelo que me foi relatado pelo meu perito médico-legal, a análise autóptica não revelou indícios de ação excessiva ou violenta por parte dos agentes".
Fontes jornalísticas locais, citadas em reportagens, indicaram que a tomografia apontou para uma "comprometimento das vias respiratórias" e relacionaram a asfixia à permanência do tórax de Fakir pressionado contra o solo por tempo prolongado. As gravações telefônicas da central e as comunicações dos agentes — que, segundo relatos, teriam solicitado duas vezes o envio de uma viatura médica avançada (automedica) — serão transcritas e analisadas como parte do conjunto probatório.
O quadro segue em evolução processual e técnica. A Procuradoria determinou a coleta de exames complementares para dirimir dúvidas sobre a cronologia dos fatos e a causalidade da morte. Esta reportagem continuará a acompanhar a apuração, com cruzamento de documentos e confirmação das fontes, fornecendo os fatos brutos e a realidade traduzida sem ruídos.