Fotos inéditas dos irmãos Cascio podem reforçar ação contra o espólio de Michael Jackson

Quatro fotos inéditas dos irmãos Cascio reacendem acusações contra Michael Jackson e entram na disputa judicial sobre supostos abusos sexuais.

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Fotos inéditas dos irmãos Cascio podem reforçar ação contra o espólio de Michael Jackson

Por Giulliano Martini — Apuração e cruzamento de fontes. Quatro imagens até então não publicadas voltaram a alimentar as acusações dos irmãos Cascio contra Michael Jackson e podem desempenhar papel central em um processo milionário por supostos abusos sexuais.

Os irmãos Dominic, Edward, Aldo e Frank Cascio — assistidos pela advogada Marie-Nicole Porte Cascio e representados nos EUA pelo advogado de Los Angeles Howard King — afirmam ter sido vítimas de um “agressor psicológico e físico” que, segundo as suas declarações, os teria repetidamente “drogado, violentado e abusado sexualmente, por longos períodos em diversas localidades do mundo”. As acusações apontam que os episódios teriam começado quando alguns dos irmãos tinham apenas sete ou oito anos.

As quatro fotos inéditas, divulgadas pelo tablóide inglês Daily Mail, mostram crianças na companhia do cantor e, conforme a versão dos Cascio, registrariam momentos em que a confiança dos pais era explorada pelo artista. Segundo o relato apurado, a aproximação começou em 1984, quando Michael Jackson conheceu o pai das crianças no hotel Helmsley Palace, em Nova York — então administrado pelo homem — e passou a requisitar favores e agrados, como a montagem de uma pista de dança em sua suíte. Aos poucos, o vínculo entre a família e o cantor teria se estreitado, levando à apresentação dos filhos ao astro.

Uma das imagens descritas mostra Dominic, então criança, sem camisa, sentado no colo do artista, que o segura próximo com um braço, enquanto com o outro se aproxima do menor. A foto teria sido feita em uma cama de quarto de hotel em Nova York. Outras tomadas incluiriam Edward e Aldo, também em momentos de proximidade física com o cantor, o que, segundo os reclamantes, corrobora a narrativa de comportamentos predatórios.

Do outro lado, a defesa do espólio de Michael Jackson e seu curador têm contestado as acusações. Marty Singer, advogado que representa os interesses do patrimônio do artista, lembrou que, por décadas, membros da família Cascio teriam afirmado publicamente que Jackson nunca havia lhes causado mal — inclusive em declarações à televisão nacional, como a entrevista com Oprah Winfrey, em 2010 —, o que, segundo Singer, seria contraditório com as novas alegações. Ainda de acordo com a defesa, os irmãos teriam solicitado US$ 213 milhões, condicionando o silêncio à obtenção do montante.

Em termos processuais, a ação civil movida pelos irmãos contra os herdeiros de Jackson havia sido iniciada anteriormente, mas, há cerca de um mês, um juiz da Corte Superior da Califórnia determinou que a controvérsia fosse submetida a arbitragem, apesar da tentativa dos autores de prosseguir com o litígio tradicional.

As novas imagens, publicadas agora de forma ampla, reapresentam ao debate público elementos visuais que os reclamantes classificam como prova material de uma conduta predatória. Minhas fontes em Los Angeles confirmam que os advogados dos Cascio entendem que as fotos podem alterar o curso do processo, enquanto a equipe do espólio sustenta que fotos isoladas não substituem evidência corroborativa e registros legais.

Trata-se de um capítulo adicional em um caso que mistura controvérsia judicial, declarações conflituosas e relatos pessoais sensíveis. O acompanhamento técnico e o cruzamento de documentos serão decisivos para verificar o alcance probatório dessas imagens e a eventual repercussão na arbitragem ordenada pela Corte.

Atualizações serão publicadas conforme novas peças do processo se tornem públicas e conforme o desenrolar das diligências jurídicas.