Furfari (Plastics Recyclers Europe): investir em qualidade é essencial para metas da UE até 2030
Furfari destaca necessidade de investir em qualidade e coordenação institucional para atingir metas da UE de reciclagem de plástico até 2030.
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Furfari (Plastics Recyclers Europe): investir em qualidade é essencial para metas da UE até 2030
Em discurso feito durante a inauguração do novo complexo R3GID, em Modena, Antonino Furfari, diretor-geral da Plastics Recyclers Europe, afirmou que, apesar das tensões atuais no setor, as perspectivas de expansão do mercado europeu de reciclagem de plástico até 2030 permanecem substanciais. A cerimônia marcou a entrada em operação do equipamento da Aliplast destinado ao tratamento de plásticos rígidos — etapa que, na avaliação de Furfari, representa um passo relevante para a elevação da qualidade e da inovação na cadeia.
Na apuração in loco e no cruzamento de fontes com especialistas do setor, a mensagem central foi direta: o crescimento antecipado da demanda por material reciclado exigirá, paralelamente, aumento de capacidade produtiva e um reforço nos parâmetros de qualidade e de rastreabilidade dos produtos. Segundo o executivo, somente com esses requisitos será possível cumprir os objetivos definidos pela União Europeia para 2030.
Furfari destacou que o investimento da Aliplast em R3GID é uma "boa notícia" para o setor porque demonstra aposta em qualidade e tecnologia. No entanto, acrescentou, subsistem desafios estruturais que afetam a competitividade dos recicladores europeus. Entre os fatores apontados como desvantagem estão os custos energéticos e ambientais mais elevados na Europa e os subsídios públicos disponíveis em outros mercados.
"Hoje é uma situação muito difícil porque nos estamos confrontando com um volume significativo de importações que vem do Far East", afirmou Furfari. Ele foi incisivo ao expor diferenças de custo: quando a produção ocorre fora da Europa, "os custos de energia podem ser até 80% mais baixos". Para responder a esse desequilíbrio, o diretor-geral defendeu um trabalho coordenado entre instituições — uma interlocução entre política industrial e política econômica — com o objetivo de garantir um level playing field e proteger a cadeia europeia.
O diagnóstico apresentado por Furfari combina observação técnica e leitura de políticas públicas. A recomendação é clara: é necessário alinhar normas de qualidade, exigir mecanismos robustos de rastreabilidade e desenhar mecanismos regulatórios e de apoio que assegurem condições de concorrência justas frente a produtores extra-UE. Sem essa articulação, alertou, há risco de comprometer os investimentos em tecnologias de ponta e a própria transição para economia circular.
O evento em Modena, que reuniu líderes industriais e técnicos do setor, serviu também para confirmar a importância de projetos como o R3GID — tanto para elevar os padrões de produção quanto para sinalizar ao mercado que há demanda por materiais reciclados de alta qualidade. A leitura de campo e o cruzamento de dados apresentados por Furfari reforçam uma exigência pragmática: além de ampliar a capacidade de reciclagem, é preciso construir condições institucionais e econômicas que sustentem o setor europeu frente à pressão competitiva global.
Relato assinado — Giulliano Martini. Apuração in loco, cruzamento de fontes e foco em fatos brutos para a realidade traduzida do setor.

