Garante da Infância: crianças da família no bosque estão traumatizadas, diz visita à casa‑família de Vasto
Garante da Infância alerta que crianças da família no bosque estão traumatizadas; visita à casa-família de Vasto aponta risco de novo trauma em transferência.
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Garante da Infância: crianças da família no bosque estão traumatizadas, diz visita à casa‑família de Vasto
Por Giulliano Martini — Em apuração in loco e após cruzamento de fontes, a Garante per l'infanzia e l'adolescenza, Marina Terragni, descreveu nesta sexta-feira o quadro psicológico dos menores retirados do chamado caso da família no bosque. Segundo Terragni, que visitou a casa-famiglia de Vasto onde vivem temporariamente as crianças, os menores "estão fisicamente bem" mas manifestam "notável agitação psicomotora" e um padrão de "medo e desconfiança em relação a estranhos" que, na avaliação da autoridade, revela um "desconforto evidente".
"Não surpreende", afirmou a Garante, ao relacionar esse quadro aos traumas repetidos a que teriam sido submetidos — citando especificamente a recente e abrupta separação da mãe, que passou quase quatro meses com eles na casa-família antes do afastamento determinado pelo Tribunal. Terragni informou que havia solicitado acompanhar a visita com um "consultor médico independente" para avaliar melhor o estado das crianças, mas que o pedido foi negado pelo Tribunal com a justificativa de que "ulteriores invasões poderiam comprometer o equilíbrio emocional dos menores".
"Uma afirmação surpreendente", apontou a Garante, "considerando as modalidades do afastamento da mãe, as quais não parecem ter levado grande consideração a esse equilíbrio emocional". Terragni advertiu que o traslado das crianças para outra instituição, conforme previsto em recente despacho judicial, constituiria "um trauma adicional" e poderia agravar uma situação psíquica já sensível. Por esse motivo, a Garante saudou a intenção da tutora e da curadora de apresentar uma petição para suspender o provvedimento e permitir a permanência dos menores na casa-família de Vasto.
Em tom técnico e incisivo — sem juízo de valor pessoal — Terragni sustentou que existe uma "evidente desproporção" entre as dificuldades constatadas no seio da família Trevallione e a decisão de desradicar as crianças de seu lar, de seus afetos e de seus hábitos de vida. A autoridade associou essa desproporção ao que qualificou como um "fracasso substancial do projeto" elaborado pelos serviços sociais, que, segundo ela, não souberam responder às dificuldades iniciais de relacionamento com a família com a profissionalidade necessária.
"Trata-se de um tema já sob nossa atenção: a formação inadequada dos operadores dos serviços que intervêm na delicada trama das relações e dos laços familiares", disse Terragni. Ela lamentou ainda a indisponibilidade da assistente social responsável pelo caso para um confronto técnico, recurso que, na visão da Garante, seria importante para esclarecimentos.
Terragni apelou por "uma rápida resolução da vicenda pelo bem das crianças e para a salvaguarda do seu futuro", recomendando todas as tentativas de mediação e lembrando que "a medida do tempo na idade evolutiva não é comparável à dos adultos, especialmente aos tempos dos processos judiciais". Citou a fórmula do jurista Arturo Carlo Jemolo, segundo a qual a família deve permanecer "uma ilha que o mar do direito apenas bordeia", salvo se se pretender substituí‑la por instituições estatais.
Por fim, a Garante mencionou um aspecto "não negligenciável": a demonização misógina da mãe no debate público em torno do caso, observação que insere o episódio em um contexto mais amplo de tensões sociais e de narrativa pública.
O posicionamento de Marina Terragni, registrado após visita técnica, acrescenta um elemento clínico e institucional à investigação em curso, colocando em evidência a centralidade do bem-estar psicológico das crianças nas decisões judiciais e administrativas que definem seu destino.


