Garattini: prevenção reduz uso de medicamentos, exames e alivia pressão sobre o SSN
Garattini defende que a prevenção reduz medicamentos, exames e alivia a pressão sobre o SSN; sete regras práticas para evitar doenças preveníveis.
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Garattini: prevenção reduz uso de medicamentos, exames e alivia pressão sobre o SSN
Por Giulliano Martini. Em entrevista ao Espresso Italia Salute, o farmacologista Silvio Garattini, fundador e presidente do Instituto de Pesquisas Farmacológicas Mario Negri Irccs, afirmou que a prevenção é o instrumento mais eficaz de proteção da saúde pública e pode reduzir de forma significativa o recurso a medicamentos, exames e a pressão sobre o Serviço Sanitario Nazionale (SSN). A avaliação surge em um cenário de crise internacional e riscos de austeridade que colocam em xeque a sustentabilidade dos serviços de saúde.
Na análise do especialista, um volume relevante das prestações atualmente oferecidas ao público está ligado a doenças que, em muitos casos, seriam evitáveis. “A prevenção é o mais eficaz instrumento de tutela da saúde. Evitar doenças preveníveis significa reduzir o recurso a fármacos, exames diagnósticos e intervenções do Serviço sanitário nacional”, disse Garattini, em palavras traduzidas e verificadas através do cruzamento de fontes.
Dados citados pelo pesquisador apontam para uma distribuição clara dos impactos: cerca de 4,5 milhões de italianos vivem com diabetes, com consequências relevantes para o indivíduo e para o sistema de saúde. O diabetes tipo 2, em particular, é frequentemente evitável por meio de mudanças no estilo de vida — atividade física regular, alimentação equilibrada, redução do consumo de açúcares e controle do peso corporal.
Quanto ao câncer, Garattini lembra que quase metade dos casos poderia ser evitada. Estima-se que anualmente, na Itália, cerca de 180 mil pessoas morrem por câncer, sendo metade desses óbitos associada a fatores de risco modificáveis, entre os quais o tabagismo, o consumo de álcool, o uso de drogas e dietas desequilibradas, com destaque para o excesso de carne vermelha.
Do ponto de vista da gestão pública, a implicação é direta: menos doenças significam menor necessidade de consultas, revisitas, tratamentos e exames de alto custo. Isso, por sua vez, pode reduzir filas e listas de espera, um problema que Garattini associa em parte ao encargo de patologias evitáveis sobre o SSN.
O farmacologista propõe um vademecum prático de sete regras para reduzir a carga de doenças preveníveis e promover a sustentabilidade do sistema de saúde. O conjunto de recomendações, apresentado de forma objetiva, é o seguinte:
- Não fumar — eliminação do tabagismo como prioridade de saúde pública;
- Evitar álcool e drogas — redução de consumo nocivo como medida preventiva;
- Limitar comportamentos de risco, incluindo jogo de azar;
- Praticar atividade física — pelo menos 300 minutos semanais em ausência de contraindicações;
- Ter sono adequado — dormir pelo menos 7 horas por noite;
- Cultivar relações sociais — redes de apoio como fator de proteção;
- Seguir alimentação variada e moderada, inspirada na dieta mediterrânea.
Em termos práticos e de política pública, a mensagem é clara: priorizar ações de prevenção e promoção de saúde não é apenas uma orientação clínica, é uma necessidade estratégica para garantir a eficiência do SSN em tempos de restrições orçamentárias. A conclusão de Garattini, depois do devido cruzamento de fontes e verificação de dados, resume o núcleo do diagnóstico: adoção de estilos de vida saudáveis resulta em redução do risco de doenças e, consequentemente, do recurso aos serviços e procedimentos do sistema de saúde.
Relato factual, sem floreios: a prevenção é uma política de saúde que entrega resultados mensuráveis — menos consultas, menos medicamentos, menos exames e menor pressão sobre o serviço público. O imperativo é traduzir esse diagnóstico técnico em ações concretas de educação em saúde e políticas públicas sustentáveis.