Garlasco: PM Giulia Pezzino detalha por que arquivou inquérito sobre Andrea Sempio

PM Giulia Pezzino detalha razões da arquivação do inquérito sobre Andrea Sempio e responde a críticas sobre ações da polícia judiciária.

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Garlasco: PM Giulia Pezzino detalha por que arquivou inquérito sobre Andrea Sempio

Garlasco — Em depoimento incluído nos autos da investigação em curso em Brescia, a procuradora de Pavia Giulia Pezzino explicou os fundamentos que a levaram a pedir a arquivação do inquérito envolvendo Andrea Sempio — decisão tomada em 2016, embora o caso agora esteja sob escrutínio por suposta corrupção em atos judiciais relacionada ao ex-procurador-chefe Mario Venditti.

Pezzino, coasssignatária do procedimento, foi ouvida pelos magistrados de Brescia em 20 de novembro de 2025. Segundo o teor do verbale, a magistrada afirmou: “Não ho mai sottovalutato la rilevanza dell'indagine, l'esposto della signora Ligabò mi sembrava prima facie infondato ma ho profuso comunque il massimo sforzo e ho cercato di non farmi condizionare dal fatto che ci fosse una persona, Alberto Stasi, in carcere con sentenza passata in giudicato”. A declaração foi transposta e explicita a tentativa de manter independência na avaliação, apesar do contexto delicado.

Os inquisidores questionaram Pezzino sobre a condução das diligências por parte da polícia judiciária, cuja atuação, segundo a acusação, teria sido insuficiente. A atenção se concentrou em particular sobre o então luogotenente Silvio Sapone. A procuradora admitiu que delegou tarefas à polícia judiciária "per evitare ogni possibile fuga di notizie", devido à intensa atenção mediática ao caso. “Noi ci siamo rivolti a Sapone, poi non so lui che utilizzasse. Avevo necessità di massima sicurezza sulla serietà delle attività anche perché dieci anni prima le indagini erano state caratterizzate da rilevanti omissioni”, registrou o depoimento.

Pezzino também rebateu versões atribuídas a Sapone no inquérito de Brescia, segundo as quais a procuradora teria revogado a convocação de Sempio marcada para 8 de fevereiro de 2017. Sobre afirmações do maresciallo Spoto — de que não teria recebido documentos, teria tratado com pouca atenção a escuta de interceptações e que Venditti teria ordenado transcrições céleres para justificar arquivamento — a magistrada foi direta: considerou desnecessárias buscas posteriores dada a passagem do tempo e afirmou não recordar o motivo pelo qual não foram realizadas as análises ambientais nos veículos, embora exista anotação que justificaria tal omissão.

“Avvertivo l'esigenza di fornire una risposta celere per la delicatezza dell'archiviazione. Venditti supervisionava ma di fatto seguivo io l'indagine. Così ho predisposto la richiesta di archiviazione che tuttavia ha richiesto del tempo per la complessità”, disse Pezzino ao relato contido nos autos. Questionada sobre a não prorrogação das interceptações, afirmou que, na época, fora informada de que “non era emerso nulla di rilevante”. A procuradora acrescentou não ter tido conhecimento de que determinadas atividades haviam sido negligenciadas e declarou não conseguir explicar as divergências entre as transcrições atuais e as registradas então.

Em paralelo ao depoimento, a defesa de Andrea Sempio reagiu em contragolpe. Os advogados anunciaram estar prontos com cinco novas perícias técnicas para sustentar a reabertura de provas e contestar os fundamentos da arquivação anterior. O desenvolvimento amplia o foco da investigação já existente em Brescia e tende a aprofundar o exame sobre eventuais lacunas processuais ocorridas há anos.

O conteúdo do depoimento de Pezzino foi incluído entre os documentos que a procuradoria de Brescia considera relevantes para reconstruir a cadeia decisória que resultou na arquivação de 2016. Os autos seguem em análise, com ênfase nas práticas da polícia judiciária e na supervisão atribuída à cúpula da Procuradoria.

Apuração in loco, cruzamento de fontes e exame técnico das perícias agora anunciadas serão determinantes para esclarecer se a decisão de arquivar se apoiou em motivações processuais robustas ou em omissões que justifiquem nova investigação.