Garlasco: Procuradora-Geral de Milão analisa documentação e estuda revisão da condenação de Alberto Stasi

Procuradora-Geral de Milão analisa documentos enviados por Pavia para avaliar pedido de revisão da condenação de Alberto Stasi em caso Garlasco.

Garlasco: Procuradora-Geral de Milão analisa documentação e estuda revisão da condenação de Alberto Stasi

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Garlasco: Procuradora-Geral de Milão analisa documentação e estuda revisão da condenação de Alberto Stasi

Em encontro de 45 minutos, a Procuradora-Geral Francesca Nanni recebeu o procurador de Pavia, Fabio Napoleone, para tratar da possível revisão da condenação de Alberto Stasi pelo homicídio de Chiara Poggi, ocorrido em Garlasco. A reunião, segundo fontes oficiais, teve caráter estritamente técnico e preparatório: a Procuradoria de Pavia enviará nas próximas semanas uma informativa com o material das investigações que identificaram como indagado o sujeito apontado nas apurações locais.

Falando à imprensa após a audiência, a procuradora-geral Nanni confirmou que a documentação será examinada com rigor. "Não posso fazer declarações de mérito antes de conhecer as cartas que a Procura de Pavia nos remeterá nas próximas semanas", afirmou. Ela acrescentou que, depois da leitura aprofundada, a equipe — que inclui o advogado-geral Lucilla Tontodonati — decidirá se solicitará atos complementares e, em seguida, se apresentará um pedido formal de revisão da sentença.

Repetindo o protocolo investigativo, Nanni enfatizou que o trabalho não será rápido nem superficial: "Não será um estudo veloz; teremos de ler atentamente as peças e só então avaliar se pedir outros atos". A cautela, disse, decorre da complexidade do caso e do peso jurídico de uma possível revisão de uma condenação já confirmada pela Suprema Corte.

Breve histórico processual: Alberto Stasi, que era namorado da vítima à época dos fatos, foi absolvido em primeiro grau (2009) e em apelação (2011). A Corte di Cassazione anulou essas decisões e ordenou novo julgamento em segundo grau; no recurso subsequente, Stasi foi condenado a 16 anos de reclusão. Em 2015, a Suprema Corte confirmou definitivamente a condenação.

Se a Procuradoria-Geral de Milão formalizar um pedido de revisão, o procedimento envolverá a Corte d'Appello de Brescia e a Procura Generale de Brescia. A iniciativa processual pode partir da própria Procuradoria-Geral de Milão ou dos advogados de Stasi, indicados como Antonio De Rensis e Giada Bocellari. Juridicamente, um pedido subscrito pela Procuradora-Geral teria maior autoridade institucional em comparação com um protocolo apresentado apenas pela defesa, segundo um magistrado especialista em répteis de revisão consultado pela reportagem.

Foi essa lógica institucional que motivou a visita de Napoleone a Nanni: provocar o envio das peças sobre o indagado identificado pela investigação de Pavia e solicitar uma avaliação formal por parte da Procuradoria-Geral. Uma vez recebida e avaliada, a Corte d'Appello de Brescia poderá decidir liminarmente — sem audiência — pelo indeferimento do pedido, ou agendar sessão pública para debate, conforme o rito já observado em pedidos de revisão anteriores.

O caso de Garlasco continua a movimentar o sistema judiciário por conta do potencial impacto jurídico e midiático da reabertura. Nesta fase, prevalece a prática do cruzamento de fontes e a leitura minuciosa das peças: procedimentos que determinarão se há elementos suficientes para alterar uma decisão firme proferida há mais de uma década.