Investigação sobre transplante de Domenico Caliendo: médicos ouvidos confirmam uso de gelo seco e falhas na cadeia logística

Procura de Nápoles ouve médicos sobre transplante de Domenico: uso de gelo seco e possível falsificação de horários são investigados.

Investigação sobre transplante de Domenico Caliendo: médicos ouvidos confirmam uso de gelo seco e falhas na cadeia logística

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Investigação sobre transplante de Domenico Caliendo: médicos ouvidos confirmam uso de gelo seco e falhas na cadeia logística

A investigação da Procura de Nápoles concentrou-se hoje na equipe do Monaldi que saiu de Nápoles com destino a Bolzano para colher o órgão a ser transplantado ao menino Domenico Caliendo. Em depoimentos colhidos na manhã desta sexta-feira, o substituto procurador Giuseppe Tittaferrante e o procurador Antonio Ricci, acompanhados por militares do NAS, ouviram a cardiochirurga Gabriella Farina e seu assistente Vincenzo Pagano.

Segundo o relato reconstruído pelos magistrados, por meio de apuração in loco e cruzamento de fontes, a descrição do trajeto do órgão — desde o explante no hospital doador até a entrega na sala de operações em Nápoles — sugere que o coração doente de Domenico já havia sido explantado quando o coração destinado ao transplante chegou ao centro cirúrgico. Trata‑se de um elemento central na linha de investigação, porque pode sustentar a hipótese de falsificação das anotações de horário na documentação clínica atribuída ao cardiochirurgo Guido Oppido e à sua vice, Emma Bergonzoni.

O interrogatório de Farina durou cerca de quatro horas. Ela confirmou a dinâmica traçada pelos investigadores: o refrigerante solicitado para o transporte era, na prática, gelo seco — capaz de atingir temperaturas próximas de -80°C — e foi colocado no compartimento frigorífico que, segundo os depoimentos, não dispunha de sistema de controle da temperatura. A operação de inserção do gelo foi realizada por um operador socio‑sanitário de Bolzano.

Farina e Pagano relataram que, antes da partida em direção a Nápoles, não perceberam que o tipo de refrigerante empregado era inadequado. O papel do assistente Pagano foi caracterizado como secundário pela acusação; seu depoimento, mais breve, confirmou apenas pontos pontuais da missão em Bolzano.

Os magistrados da seção "Lavoro e Colpe Professionali" da Procuradoria de Nápoles imputam a sete médicos o crime de homicídio culposo em concurso. Adicionalmente, Oppido e Bergonzoni respondem por falso em documentação clínica, por supostas irregularidades nos horários lançados na ficha do paciente Domenico, cujo coração doador teria sido danificado pelas baixas temperaturas durante o trajeto.

Outro documento relevante do inquérito é uma gravação de reunião de equipe realizada em 16 de fevereiro, registrada por um enfermeiro especializado (identificado como F.F.) sem o conhecimento dos presentes. Na ocasião, com a investigação e a iminente inspeção do Ministério da Saúde já em curso, Oppido teria minimizado responsabilidades, assegurando à equipe que ninguém seria apontado como culpado e justificando a conduta da colega que recolheu o órgão em Bolzano — sob o argumento de que não haveria como identificar o uso de gelo seco.

O caso segue em apuração, com novas diligências previstas para verificar cadeia de custódia do órgão, procedimentos de transporte e a correta anotação de horários na documentação hospitalar. A investigação busca distinguir eventuais falhas logísticas de condutas profissionais que possam configurar crime.

Apuração in loco, cruzamento de fontes e descrição precisa dos fatos permanecem na base do processo investigativo em curso, que agora concentra pontos cruciais sobre o momento do explante, o tipo de refrigerante utilizado e a sequência de eventos no dia do transplante, 23 de dezembro de 2025.