Irene Pivetti condenada a 4 anos por evasão fiscal e autoriciclagem, juízes citam 'dolo elevado'

Corte de Apelação de Milão confirma condenação de Irene Pivetti a 4 anos por evasão fiscal e autoriciclagem; confisco de €3,5 mi mantido.

Irene Pivetti condenada a 4 anos por evasão fiscal e autoriciclagem, juízes citam 'dolo elevado'

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Irene Pivetti condenada a 4 anos por evasão fiscal e autoriciclagem, juízes citam 'dolo elevado'

Por Giulliano Martini — Apuração in loco e cruzamento de fontes: a quarta seção penal da Corte de Apelação de Milão confirmou, em decisão de 10 de dezembro, a condenação da ex-presidente da Câmara Irene Pivetti a 4 anos de reclusão pelos crimes de evasão fiscal e autoriciclagem. A sentença reafirma, segundo os magistrados, que houve um proposito criminoso levado adiante com elevada intensidade do dolo.

Na motivação, os juízes — Fagnoni, Centonze e Marchiondelli — sustentam que a ré manteve por longo período condutas capciosas destinadas a criar justificativas pós-fato e montar um mecanismo que permitisse o desvio e o transferimento de ingentes somas sem qualquer autocrítica ou revisão de conduta. O acervo probatório envolve operações datadas de 2016 que totalizam cerca de 10 milhões de euros, investigadas pelo Núcleo de Polícia Econômico-Financeira da Guardia di Finanza e pelo procurador Giovanni Tarzia.

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Ao centro do processo estão transações comerciais relacionadas, em particular, à compra e venda de três unidades de Ferrari Granturismo. Os magistrados notam que as negociações teriam servido de instrumento para reciclar recursos originários de fraudes fiscais, configurando, na avaliação da Corte, a prática de autoriciclagem associada à evasão tributária.

A decisão de segundo grau confirmou, por consequência, as demais sentenças proferidas em 26 de setembro de 2024: penas de dois anos — com suspensão e sem menção — para o piloto de rali e ex-campeão de Granturismo Leonardo 'Leo' Isolani e para Manuela Mascoli. Também foi mantida a ordem de confisca de aproximadamente 3,5 milhões de euros, quantia que já havia sido congelada durante as investigações.

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Os procuradores envolvidos no recurso de apelação incluíram a substituta procuradora-geral Franca Macchia e o próprio pm Giovanni Tarzia, que pediram a manutenção das condenações em razão da 'extrema gravidade dos fatos'. A fundamentação detalha tentativas da ré de "justificar o injustificável", por meio de expedientes destinados a atenuar ou desviar a atenção dos ilícitos cometidos.

Em nota após a confirmação da pena, Irene Pivetti reafirmou sua inocência e anunciou que, junto ao advogado Filippo Cocco, intentará recurso à Corte di Cassazione. "A verdade é que eu sou inocente", declarou. A defesa deverá agora apresentar os fundamentos para a subida ao último grau de jurisdição, onde serão reavaliadas questões de direito e, eventualmente, de prova.

O caso, originado a partir do trabalho investigativo da Guardia di Finanza, constitui um exemplo de operação complexa envolvendo veículos de luxo como suposta fachada para a movimentação de capitais de origem ilícita. Do ponto de vista processual, a confirmação da sentença em segundo grau consolida o quadro probatório até aqui produzido, mas mantém aberta a via recursal para exame pela Corte de Cassação.

Fatos brutos, movimento de bens e medidas cautelares: a decisão de Milão representa um raio-x do cotidiano de esquemas investigados por órgãos financeiros. A apuração prossegue, e a análise técnica das provas será o foco na fase de Cassação.

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