Leo Gullotta desmonta memórias do Bagaglino: presentes de Berlusconi, críticas a Meloni e recordações profissionais
Leo Gullotta relembra Bagaglino, revela presentes de Berlusconi, critica Meloni e fala da vida pessoal e carreira em entrevista ao semanal Oggi.
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Leo Gullotta desmonta memórias do Bagaglino: presentes de Berlusconi, críticas a Meloni e recordações profissionais
Em entrevista ao semanal Oggi, o ator siciliano Leo Gullotta revisitou seis décadas e meia de carreira, mesclando relatos profissionais, posicionamento político e episódios pessoais com um tom direto e factual. Aos 80 anos, completados em 9 de janeiro, Gullotta declara ter vivido "uma vida de fábula" e reafirma o desejo de continuar atuando sem desperdiçar tempo.
O ator disse não esconder sua simpatia pela esquerda e expressou preocupação com o cenário internacional. Segundo Gullotta, há um "espetáculo de desumanização e violação do direito internacional" que assusta e silencia. Sobre o cenário norte-americano, afirmou que a esperança é que "alguém impeça Donald Trump", a quem atribui problemas clínicos evidentes.
No campo político interno, Gullotta não poupa a chefe de governo: diz que Giorgia Meloni "não lhe agrada" e a caracteriza como mais astuta do que inteligente. Ele critica o alinhamento de Meloni com Donald Trump e alerta para risco de retrocessos em direitos civis. "A Itália avançou em alguns pontos, mas continua atrás de nações mais evoluídas", afirmou, defendendo a necessidade de uma classe política com maior densidade intelectual e ética.
O ator também relatou ter sofrido censura no passado. Gullotta contou que a sua condição de homossexual o impediu de interpretar Don Puglisi na ficção sobre o padre palermitano, e sublinhou a necessidade de combater injustiças semelhantes para que não se repitam.
Gullotta relembrou a trajetória no entretenimento televisivo, com destaque para a longa ligação ao Bagaglino. Segundo o ator, o programa chegou a atrair 14 milhões de telespectadores e reunir políticos que buscavam ser espirituosos, muitas vezes com resultados mediocres. Em sua avaliação técnica, apenas Giulio Andreotti conseguia sair-se bem nas piadas, sem contudo alimentar um juízo positivo sobre sua ação política.
Sobre Silvio Berlusconi, Gullotta revelou que, quando o Bagaglino migrou da RAI para a Canale 5, o empresário costumava visitar os bastidores e trazer presentes dispendiosos. "Eu me trancava no camarim para evitá-lo", declarou, descrevendo um comportamento de distanciamento diante da presença do então líder político e empresário.
Sobre propostas de revisitação do Bagaglino, Gullotta considera que a recriação "não faria sentido" e afirma que ele próprio não participaria. Na esfera pessoal, recordou o casamento com o companheiro de longa data, Fabio Grossi, oficializado em 2019, após 46 anos de união.
Entre arrependimentos profissionais, Gullotta cita não ter trabalhado com Alberto Sordi, cuja atuação venerava. Questionado sobre uma possível colaboração com Checco Zalone, encerrou com precisão jornalística: "Me valho da faculdade de não responder".
Relato direto, cruzamento de memórias e verificação de fatos compõem a entrevista de Gullotta, que permanece ativo no discurso público e artístico, mantendo uma postura investigativa sobre o passado e cautelosa quanto ao futuro.