Makka Sulaev absolvida em apelo: corte reconhece legítima defesa no caso de Nizza Monferrato

Apelido de Turim absolve Makka Sulaev por legítima defesa no caso de Nizza Monferrato; decisão reverte condenação inicial de 9 anos e 4 meses.

Makka Sulaev absolvida em apelo: corte reconhece legítima defesa no caso de Nizza Monferrato

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Makka Sulaev absolvida em apelo: corte reconhece legítima defesa no caso de Nizza Monferrato

Makka Sulaev absolvida em apelo: corte reconhece legítima defesa no caso de Nizza Monferrato

Por Giulliano Martini — Apuração in loco e cruzamento de fontes. A jovem Makka Sulaev, então com 18 anos, foi absolvida pela corte d'assise di appello de Turim do crime de homicídio pelo qual havia sido condenada em primeira instância. O caso refere-se ao episódio ocorrido em 1º de março de 2024, em Nizza Monferrato, quando Makka matou o pai, Akhyad Sulaev, com duas facadas durante uma briga familiar.

Em primeira instância, a Corte de Assises de Alessandria havia condenado a jovem a nove anos e quatro meses de prisão. A Procuradoria-Geral, com o procurador substituto Massimo Baraldo, havia pedido a confirmação dessa condenação, argumentando que as facadas teriam sido desferidas “a frio”, já após o término da agressão física. Em sua requisição, Baraldo afirmou a necessidade de preservar o primado da lei e rejeitou a tese da legítima defesa.

A sentença de apelo, entretanto, mudou esse quadro: os juízes consideraram presentes os requisitos da legítima defesa e determinaram a imediata revogação da obrigação de assinatura a que Makka estava submetida, autorizando seu retorno à liberdade. Até então, a ré cumpria apenas a medida cautelar de comparecimento periódico.

Os fatos, apurados com rigor, mostram um histórico contínuo de violência doméstica. Na tarde de 1º de março de 2024, Akhyad agrediu a esposa e a filha primogênita na presença de outros três filhos menores. Agressões com puxões de cabelo, socos e cotoveladas foram registradas em áudio por membros da família; esse material e o depoimento presencial da testemunha Martina Bonini — professora que auxiliava o irmão mais novo nas tarefas escolares — constaram nos autos.

Segundo a acusação, no momento em que Makka se apossou da faca — comprada poucas horas antes em supermercado — a agressão teria cessado, o que, na avaliação do Ministério Público, descaracterizaria a defesa imediata. A defesa, representada em audiência pelo advogado Massimiliano Sfolcini, sustentou que a ação foi reação a um quadro persistente de violência e de risco imediato para a integridade física da jovem e de sua mãe.

A investigação também recolheu elementos sobre a dinâmica familiar: a família dos Sulaev havia chegado à Itália em 2018, proveniente da Chechênia, e, segundo os autos, vivia sob o controle autoritário de Akhyad. Relatos incluíram episódios de abuso psicológico e instruções explícitas de violência para os filhos do sexo masculino, com orientações sobre como punir futuras esposas.

O veredito de apelo impõe novo capítulo processual e reafirma a complexidade de casos que conectam violência doméstica crônica, proteção de menores e avaliação técnica da imediaticidade da defesa. Permanecem em destaque a materialidade das provas — como o áudio registrado — e a interpretação jurídica sobre o instante em que se configura o direito de repelir uma agressão.

Registro final: a decisão da corte de apelo surge após mais de duas horas de arguição da Procuradoria-Geral e duplo exame judicial do caso, ilustrando o peso do trabalho técnico na verificação dos fatos brutos e na limpeza de narrativas.

Giulliano Martini — correspondente da Espresso Italia, com 48 anos de vivência na Itália, cobrindo processos judiciais e temas de segurança pública com enfoque técnico e verificação rigorosa.