Mario Sechi, sob proteção policial: Relato do diretor de Libero e o aviso de demissão de Angelucci

Mario Sechi relata vida sob proteção policial após ameaças de anarco-insurrecionalistas e anuncia demissão por Angelucci.

Mario Sechi, sob proteção policial: Relato do diretor de Libero e o aviso de demissão de Angelucci

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Mario Sechi, sob proteção policial: Relato do diretor de Libero e o aviso de demissão de Angelucci

Por Giulliano Martini — Correspondente na Itália. O diretor do jornal Libero e ex-diretor da AGI, Mario Sechi, descreve com precisão cirúrgica a mudança abrupta em sua rotina após ser colocado sob proteção policial por determinação das autoridades. Em um editorial e em redes sociais, Sechi relatou o momento em que o prefetto Claudio Sgaraglia lhe comunicou que “Devo metterti sotto tutela” — decisão tomada após as ameaças atribuídas a grupos anarco-insurrecionalistas.

Segundo o relato, Sechi tentou opor-se: “Não quero la scorta, non l'ho mai chiesta”. A negativa, no entanto, encontrou resposta firme do prefetto: “Non puoi decidere tu, è necessario”. Pouco depois, o questore Bruno Megale compareceu à sua residência acompanhado do coordenador das escoltas, confirmando que se tratava de “uma ameaça direta” à sua pessoa.

O jornalista relaciona imediatamente a medida com a explosão ocorrida em um casolare nas Capannelle, em Roma, onde morreram dois anarquistas — Alessandro Mercogliano e Sara Ardizzone — enquanto fabricavam um artefato explosivo. Ambos integravam uma área ligada ao ativista preso Alfredo Cospito, que Sechi define como “a estrela na prisão do movimento anarquista”. No mesmo texto, o diretor recorda atentados atribuídos a Cospito, incluindo ações contra a escola de formação dos carabinieri em Fossano e o ferimento do executivo Roberto Adinolfi, da Ansaldo Nucleare.

“Para um cronista, as palavras são a luz vermelha que se acende”, escreve Sechi, explicando que ligou imediatamente a ameaça ao atual clima de tensão relacionado ao anarquismo insurrecionalista. Segundo ele, bastaria um comentário sobre a explosão no casolare para transformá-lo em alvo.

O editorial detalha o impacto direto sobre sua vida cotidiana: deslocamentos monitorados, presença constante de agentes, rotinas organizadas com antecedência e a perda da liberdade de circular livremente entre Milão e Roma. Sechi relata ter abandonado o transporte público após episódios de agressões e insultos, migrando para táxis e, finalmente, para uma rotina marcada pela escolta.

Ao falar dos policiais que o protegem, o diretor manifesta admiração pelos homens e mulheres a quem chama de “servidores do Estado”, destacando o que define como seu “espírito republicano”. O relato é factual, sem retórica: descreve tarefas e condutas dos agentes, ressaltando a dimensão humana e institucional da proteção.

O desfecho do texto traz uma reflexão sobre o crescente clima de ódio e da violência política. Sechi recorda o assassinato do jurista Marco Biagi pelas Nuove Brigate Rosse e alerta: “Começa-se com as palavras; depois se atira, se plantam bombas”. A advertência é apresentada como diagnóstico e chamado à atenção das instituições e da sociedade civil.

No mesmo dia, por meio de um post na plataforma X, Sechi anunciou ter sido demitido pelo empresário e proprietário do diário, Angelucci, afirmando: “Angelucci mi ha licenziato. Lo ha fatto nel momento in cui sono finito sotto scorta, minacciato di morte dai terroristi anarco-insurrezionalisti”. A declaração adiciona um elemento novo ao caso, que agora combina segurança pessoal, jornalismo e tensão institucional.

Este é o raio-x de uma situação que mistura ameaças de violência, decisões administrativas de segurança pública e repercussões internas na redação de um jornal. A apuração continua, com cruzamento de fontes e verificação das comunicações oficiais das autoridades responsáveis pela segurança.