Mattia Maestri morre aos 13 anos após nove anos em coma por infecção ligada a queijo de leite cru

Mattia Maestri morre aos 13 após nove anos em coma por infecção de Escherichia coli ligada a queijo de leite cru; pai luta por justiça e informação.

Mattia Maestri morre aos 13 anos após nove anos em coma por infecção ligada a queijo de leite cru

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Mattia Maestri morre aos 13 anos após nove anos em coma por infecção ligada a queijo de leite cru

O coração de Mattia Maestri deixou de bater aos 13 anos, nove anos após ter sido vítima de uma grave infecção por Escherichia coli decorrente do consumo de queijo de leite cru. O óbito foi anunciado pelo pai, Giovanni Battista Maestri, que durante quase uma década transformou o drama em uma batalha por justiça e informação pública sobre os riscos alimentares.

O caso remonta a junho de 2017, na Val di Non, região do Trentino, quando o então garoto, com quatro anos, consumiu um queijo típico produzido com leite cru adquirido em um caseificio local. Após a ingestão, Mattia contraiu uma infecção grave por Escherichia coli e entrou em estado vegetativo. Desde então, permaneceu em coma por nove anos até o falecimento.

O episódio sensibilizou a opinião pública regional e nacional. Em paralelo ao cuidado diário do filho — que, segundo relato do pai, exigia terapias complexas e o uso de 47 medicamentos por dia —, Giovanni Battista Maestri fundou uma associação de consumidores dedicada aos riscos de produtos alimentares intrinsecamente perigosos (a expressão original utilizada foi "rischi connessi ai prodotti alimentari intrinsecamente pericolosi").

No campo judicial, o processo avançou até a mais alta instância italiana. Uma sentença da Cassazione confirmou o nexo de causalidade entre o produto contaminado e as lesões sofridas por Mattia, tornando definitivas as condenações por lesões culposas de dois responsáveis do caseificio envolvido.

Nos últimos meses, o pai do menino publicou e apresentou um livro no Senado, intitulado "La verità sui pericoli dei formaggi a latte non pastorizzato". A obra — segundo divulgação do próprio autor — combina análise histórica, científica e jurídica, com o objetivo de desconstruir a narrativa que romantiza a tradição do leite cru e demonstrar como essa imagem pode ser fruto de ações de marketing e construções ideológicas sem sustentação científica.

O livro dedica atenção crítica às perícias, consultorias técnicas e decisões judiciais que, de acordo com o autor e com a base documental do processo, reconheceram o nexo causal entre o queijo contaminado e as lesões sofridas por Mattia. A mobilização do pai incluiu pedidos por maior transparência e informação sobre os riscos do consumo de produtos não pasteurizados, especialmente quando destinados a crianças.

O caso de Mattia Maestri reabriu o debate público sobre segurança alimentar, responsabilidade dos produtores e necessidade de políticas claras de prevenção. As autoridades sanitárias e o setor agroalimentar já enfrentam questionamentos sobre fiscalização, rotulagem e medidas de proteção ao consumidor, temas que ganharam nova urgência com a confirmação judicial do vínculo entre o produto e a tragédia.

Apuração in loco e cruzamento de fontes permitiram reconfirmar a cronologia dos fatos e as decisões judiciais que acompanharam o caso. A família de Mattia busca agora que a memória do episódio sirva para reduzir riscos e evitar que outras famílias enfrentem o mesmo sofrimento.