Niscemi: deslizamento de grandes proporções expõe fundos não gastos e obras inacabadas

Deslizamento em Niscemi expõe fundos não gastos e obras inacabadas; 1.500 desalojados e investigação criminal envolvendo ex‑governadores.

Niscemi: deslizamento de grandes proporções expõe fundos não gastos e obras inacabadas

RESUMO ✦

Sem tempo? A Lili IA resume para você

Gerando resumo com IA...

Niscemi: deslizamento de grandes proporções expõe fundos não gastos e obras inacabadas

Por Giulliano Martini — Apuração in loco e cruzamento de fontes. Nas primeiras horas de 16 de janeiro houve um deslizamento de grandes proporções em Niscemi, província de Caltanissetta. Os primeiros levantamentos da Proteção Civil regional indicaram que o movimento de massa atingiu a margem oeste do aglomerado urbano, com um coronamento superior a 1,5 km. Em 25 de janeiro, por volta das 12h30, reativou‑se também o frente de 1997, na porção sul do centro, com coronamento superior a 2 km.

O conjunto instável desenvolveu‑se por cerca de 4,7 km ao longo do limite do núcleo urbano, envolvendo os setores Sante Croci‑Belvedere, a bacia do torrente Benefizio e os taludes entre a estrada provincial 10 e a SP12. As escarpas de desprendimento apresentavam alturas médias entre 25 e 30 metros, com trechos que ultrapassaram 50 metros. Diante dessa dimensão, foi imediatamente delimitada uma zona vermelha de segurança e determinada a evacuação dos moradores: mais de 1.500 pessoas ficaram deslocadas, com a colina deslocando‑se em direção à Planície de Gela.

A atuação do Departamento da Proteção Civil começou nas primeiras horas, em coordenação estreita com as estruturas locais, para monitorar e conter o agravamento do quadro. Em 26 de janeiro o Conselho de Ministros declarou estado de emergência para as três regiões afetadas. Em 30 de janeiro o chefe do Departamento, Fabio Ciciliano, assinou a portaria 1180, que estabeleceu os primeiros intervenientes urgentes de proteção civil para apoiar os territórios atingidos. Com o Decreto‑Lei 25, de 27 de fevereiro, Ciciliano foi nomeado Comissário extraordinário para a área de Niscemi, responsável por coordenar as medidas de reforço da segurança e da resiliência territorial.

Em paralelo, a Procuradoria de Gela, autoridade competente, abriu investigação por desastre culposo e danos consequentes ao deslizamento. A investigação produziu um ato recente e chamativo: a inscrição no registro de investigados de treze pessoas, entre as quais os quatro presidentes de Região que governaram de 2010 a 2026 — Raffaele Lombardo, Rosario Crocetta, Nello Musumeci (atual ministro da Proteção Civil) e o atual presidente Renato Schifani — além dos chefes da Proteção Civil regional do período.

A acusação da Procuradoria de Niscemi concentra‑se na "falta de realização das obras de mitigação que poderiam ter evitado o evento de 2026 ou reduzido seus efeitos", em especial as obras previstas após o deslizamento de 1997 que, segundo os investigadores, não teriam sido executadas. Após o episódio de 1997 foram disponibilizados 23 bilhões de liras (moeda anterior), e contratos foram atribuídos a um ATI; contudo, os trabalhos não teriam sido concluídos. Além disso, um montante de 12 milhões de euros destinado ao consolidamento do território não teria sido gasto.

Os fatos — cronologia dos eventos, medidas emergenciais e lacunas nas obras de mitigação — estão sendo agora objeto de um escrutínio jurídico e técnico mais aprofundado. A apuração segue em curso, com acentuado foco em documentos de contrato, cronogramas de obra e liberações orçamentárias. A realidade traduzida pelos dados preliminares aponta para uma conjunção de riscos naturais e omissões administrativas que serão avaliadas em sede judicial e administrativa.

Este relatório jornalístico segue o princípio da verificação rigorosa: fatos brutos, fontes oficiais e documentos do processo foram cruzados para extinguir ruído informativo e oferecer um raio‑x preciso do que levou ao desastre e das responsabilidades potenciais.