Onda de calor pode chegar a 20 dias: mudança estrutural do anticiclone africano mantém o país sob calor extremo

Quarta onda de calor pode atingir 20 dias; anticiclone africano deslocado mantém temperaturas muito acima da média e agrava seca e impactos agrícolas.

Onda de calor pode chegar a 20 dias: mudança estrutural do anticiclone africano mantém o país sob calor extremo

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Onda de calor pode chegar a 20 dias: mudança estrutural do anticiclone africano mantém o país sob calor extremo

Relato baseado em apuração em campo e cruzamento de fontes: o território italiano enfrenta uma quarta onda de calor que já dura 13 dias e, segundo modelagens meteorológicas consultadas, pode se estender até 17 de agosto — totalizando cerca de 20 dias consecutivos com temperaturas de 7 a 8 °C acima das médias sazonais. A sequência de eventos e os intervalos cada vez mais curtos entre as ondas elevam a possibilidade de que verões tão quentes se tornem recorrentes.

O físico da atmosfera Lorenzo Giovannini, da Universidade de Trento, ouvido pela ANSA, identifica um mudança estrutural: o anticiclone africano está se deslocando mais ao norte do que no passado, mantendo por mais tempo sobre a Península italiana uma massa de ar extremamente quente.

Nas medições marítimas, instrumentos como boias, reunidos pelo ISPRA, confirmam águas mais quentes do que o habitual — um termômetro direto do estado dos mares que reforça o quadro térmico geral.

Segundo o Boletim das ondas de calor do Ministério da Saúde, houve uma leve redução nas cidades com bandeira vermelha em comparação a dias anteriores: ontem eram 19 das 27 cidades monitoradas, mantêm-se 19 hoje e a previsão aponta queda para 18 no dia 13 de agosto. Trata-se de um recuo em relação à situação de 4 de agosto, quando todas as 27 cidades estavam em nível vermelho, mas as temperaturas continuam acima da média em todo o país, com impactos palpáveis na produção agrícola.

Na planície do Po, a seca favorece a subida do cuneo salino no trecho inferior do rio, prejudicando recursos hídricos e irrigação. Incêndios e falta de água ameaçam plantações de milho e arroz em diversas regiões do norte. Nas montanhas, o aquecimento também se faz sentir: o zero térmico atingiu 4.300 metros no Monte Bianco, apenas 500 metros abaixo do cume, o que levou à suspensão de subidas pelo lado italiano e ao fechamento preventivo dos refúgios franceses Tête Rousse e Goûter.

Raio‑X cronológico das ondas de calor desta temporada: a primeira ocorreu de 23/24 a 31 de maio (8–9 dias); após 18 dias de temperaturas na média, a segunda durou de 18 a 30 de junho (12–13 dias); uma semana de alívio precedeu a terceira, iniciada em 7/8 de julho e prolongada até 20 de julho (13–14 dias); a quarta teve início em 29 de julho e permanece ativa. Modelos atuais projetam sua duração até 17 de agosto, quando poderá haver uma pausa — mas é prematuro afirmar se será temporária.

Na avaliação técnica de Giovannini, antigamente as ondas de calor cessavam quando o anticiclone das Azzorre retomava influência sobre a Europa; hoje, com o anticiclone africano posicionado mais a norte, a península tende a ficar por mais tempo sob sua área de influência. A dinâmica precisa desse deslocamento ainda está em estudo, mas especialistas apontam como fator provável a alteração da circulação atmosférica associada ao aquecimento global.

Conclusão operacional: o país opera em regime de atenção ampliada. Saúde pública, setor agrícola e serviços de emergência precisam manter medidas de mitigação e vigilância. A análise técnica conjunta — cruzamento de dados de boias, satélites, estações meteorológicas e boletins oficiais — reforça que estes episódios não são ruído isolado, mas parte de um padrão que exige monitoramento contínuo.